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O Alfa das Sombras Me Escolheu

 

O Alfa das Sombras Me Escolheu


CAPÍTULO 1: A CHEGADA

Narrado por Eleonor

Eu nunca imaginei que pisaria nas Terras Vazias.

Dizem que quem entra aqui... não volta.
Mas aqui estou eu. Atravessando a fronteira mágica com o coração na garganta e o vento gelado cortando meu rosto.

“Você é a única que pode curá-lo.”
Foi o que o Conselho me disse. Como se fosse simples. Como se eu não estivesse indo ao encontro de um monstro.

Riven. O Alfa das Sombras.
O amaldiçoado. O banido. O assassino.

Eles dizem que ele matou a própria companheira.
Que os olhos dele queimam em vermelho antes de destruir.
Que ele não é mais homem. Nem lobo.
Só raiva e escuridão.

Mas mesmo assim...
algo em mim disse que eu deveria vir.

Meu colar de proteção aqueceu quando me aproximei da caverna.
Era ali.
O lugar onde um alfa morria em silêncio.
Ou esperava — por mim.

Pisei com cuidado nas pedras cobertas de musgo e sangue seco. A tocha que eu levava tremia como minhas mãos. E então, eu o vi.

Ele estava ali.
Deitado.
Ferido.

O peito nu coberto de marcas, respiração pesada, veias enegrecidas pelo veneno. Mesmo à beira da morte, ele era... poderoso.
Incontrolável.
Bonito de um jeito que machuca.

E foi naquele momento que os olhos dele se abriram.

“Você veio...”, ele murmurou.
A voz rouca, como se as pedras falassem.

Meu corpo congelou.

— Não fale. — Foi tudo o que consegui dizer. — Preciso agir antes que o veneno atinja o coração.

Ajoelhei ao lado dele.
Toquei sua pele quente demais, como se ele ardia por dentro. Tirei meu colar de cura e o pressionei sobre a marca no peito dele. A magia começou a reagir...
Mas então...
os olhos dele mudaram de cor.

De âmbar para vermelho sangue.
E o mundo parou.

— Você é minha agora. — Ele disse.
Antes de apagar.

Eu podia ter fugido.
Gritado.
Voltado correndo pro mundo seguro que conhecia.

Mas não.
Eu fiquei.

E no silêncio profundo das Terras Vazias, eu entendi:
Minha vida tinha acabado de mudar.


CAPÍTULO 2: ELE ACORDOU

Narrado por Eleonor

A noite parecia viva.
A floresta sussurrava ao meu redor — vozes antigas, selvagens, alertando: “fuja”.
Mas eu fiquei.

Depois de tudo o que fiz para salvá-lo, Riven estava inconsciente.
O peito subia devagar, como se a cada respiração ele lutasse contra a própria maldição.
E eu... fiquei ali.
Observando.
Tentando entender por que eu me sentia ligada a ele.

Era só uma missão, certo?
Salvar o alfa amaldiçoado e voltar para a minha aldeia.

Mas havia algo errado comigo.
Desde que toquei sua pele, uma corrente estranha queimava sob minha pele.
Um calor que não era febre.
Era desejo? Medo? Ou... vínculo?

Suspirei, tentando me concentrar. Peguei ervas, untei as feridas dele com cuidado, mesmo com o corpo dele sendo uma muralha de músculos, todo cicatrizado — marcado pela guerra e pelo abandono.

E foi aí que ele mexeu a mão.

Engoli em seco.

— Riven...? — sussurrei, sem me aproximar demais.
Os olhos dele se abriram.

Dessa vez, eram dourados.
Fulgurantes. Como fogo vivo.
Queimaram dentro de mim.

— Você ficou... — ele disse, a voz baixa, gutural. — Por quê?

Eu podia ter dito “porque é meu dever”, ou “porque não sou covarde”.
Mas nenhuma mentira saiu.

— Porque eu senti... que você precisava de mim.
Mesmo sem te conhecer.

Ele tentou se erguer, os músculos tremendo. Instintivamente, fui até ele.

Foi um erro.

Ele me agarrou.
Com força.
As mãos dele apertaram minha cintura como se meu corpo fosse o único chão que ele tinha no mundo.
A testa dele encostou na minha clavícula.

— O cheiro... — ele sussurrou. — Por que você tem o cheiro de... lar?

Minha respiração falhou.
Não. Isso não podia estar acontecendo.

— Me solta. — pedi, sem muita convicção.

Mas ele não soltou.

Em vez disso, ergueu o rosto.
Seus olhos me atravessaram.

— Você me curou, Eleonor.
Agora estamos ligados.

Eu quis dizer que era mentira.
Quis dizer que ele estava delirando.
Mas o calor dentro de mim crescia, como uma fogueira interna que só ele parecia alimentar.

— Isso não é possível... — murmurei.

— Mas é. — ele respondeu. — E eu nunca vou te deixar partir.


CAPÍTULO 3: CORRER NÃO ADIANTA

Narrado por Eleonor

Eu fugi.

Depois do que ele disse. Depois de sentir... aquilo.
Corri pela floresta como se pudesse deixar pra trás aquela sensação de estar presa a ele.
De ser dele.

O problema?

Eu estava correndo, mas ele já estava dentro de mim.

A floresta parecia mais densa a cada passo. Galhos me arranhavam, a lua parecia rir de mim lá de cima.
E meu corpo queimava.
Minhas pernas fraquejavam.

“Você me curou. Agora estamos ligados.”

As palavras dele ecoavam como uma maldição.
Ou uma promessa.

Eu não podia me apaixonar por ele.
Ele era o Alfa das Sombras.
Banido. Maldito. Temido por todos.

E eu?
Uma curandeira. Uma mulher que passou a vida cuidando dos outros, nunca de si mesma.
Nunca soube o que era arder por alguém.
Mas agora...

Você tá me seguindo? — gritei para o escuro.

Nada respondeu.

Então me virei.
E lá estava ele.

Encostado numa árvore, braços cruzados, como se tivesse estado ali o tempo todo.
Riven.
O lobo amaldiçoado.
Me olhando como se eu fosse a única coisa viva em milênios de morte.

— Você corre bem — ele disse, sem se mover. — Mas corre de quê?

— De você!

— Ou de você mesma?

Minha respiração falhou.

Ele caminhou até mim. Devagar.
Cada passo era um aviso.

— Eu não vou te machucar, Eleonor.
Só quero... entender o que está acontecendo com a gente.
Você sentiu.
Eu vi nos seus olhos.

Balancei a cabeça. Eu não podia.
Mas meu corpo já tinha se entregado à verdade.
Tremia. Esperava.

— Isso não pode ser real... — sussurrei.

— É real.
— Ele ergueu a mão. Tocou meu rosto. — Você me salvou. Agora somos parte um do outro.

Fiquei ali, imóvel.

— Você é a única que consegue tocar em mim sem dor.
— A voz dele quebrou. — Isso nunca aconteceu antes.

E foi nesse momento que percebi: ele não era só um monstro solitário.
Ele era um homem que tinha esquecido o que era ser tocado com ternura.

E meu coração... traiçoeiro... se apertou.

— Eu ainda posso ir embora — falei, só pra provocar.

Ele sorriu de lado. Um sorriso que era pecado e promessa.

— Pode tentar.
Mas vai ser minha de qualquer jeito.


CAPÍTULO 4: O PRIMEIRO TOQUE

Narrado por Eleonor

Ele ficou ali.
Perto demais.
Longe do bastante pra me fazer arder.

Eu devia ter ido embora.
Mas minhas pernas não obedeciam.
Porque, mesmo com o medo...
Mesmo com tudo que eu sabia sobre Riven...
Meu corpo já tinha escolhido.

— Por que eu? — perguntei, com a voz quase falhando.

Ele se aproximou mais, até minha respiração se misturar à dele.

— Porque sua alma grita pela minha.
— E tocou meu pescoço com a ponta dos dedos.
Devagar. Quente.
— Porque você não me teme... mesmo quando deveria.

Fechei os olhos.

E foi quando ele encostou a testa na minha.

A floresta silenciou.
O tempo desapareceu.
Só havia nós dois.

— Se me tocar agora… — murmurei — vai ser real demais.

Ele sorriu.

— Eu quero real.

E foi então que ele encostou os lábios nos meus.

Leve. Lento.
Mas cheio de fome.









CAPÍTULO 5: MARCADA

Narrado por Eleonor

O beijo dele me destruiu.

Porque não foi apenas um beijo.

Foi um selo.
Um laço.
Uma marca que eu sentiria mesmo a mil quilômetros de distância.

Quando nossos lábios se afastaram, ele olhou nos meus olhos e disse:

— Agora você carrega um pedaço meu dentro de você.

— Isso não é justo — murmurei, com a voz rouca.

— Nunca foi. Mas é verdadeiro.

Afastei-me, com o coração disparado.
Meus dedos tremiam. Minha pele queimava.

Mas o pior?

Eu queria mais.

Queria tudo.


🐺 CAPÍTULO 6: AS REGRAS DA LIGAÇÃO

Narrado por Eleonor

Eu precisava entender.
Aquilo não era só desejo.

Era uma ligação ancestral.

Procurei nos livros da velha cabana.
As lendas diziam: quando um Alfa amaldiçoado encontra sua alma compatível, a conexão é selada com o toque... e alimentada pelo desejo mútuo.

Mas se a ligação for negada por muito tempo…

Ambos adoecem.

Olhei meu reflexo.
Minhas pupilas estavam mais dilatadas.
Minha pele mais sensível.

Eu estava mudando.

— Você está lutando contra algo que já é parte de você — disse Riven, encostado na porta.

— Você entrou aqui de novo sem pedir?

— Você me chama. Eu venho.

— Eu não te chamei!

— Seu corpo chamou.

Ele se aproximou devagar.
A tensão no ar era quase insuportável.

— E se eu não quiser isso? — perguntei.

— Vai querer.


🐺 CAPÍTULO 7: A ESCOLHA DO INSTINTO

Narrado por Eleonor

Naquela noite, eu sonhei com fogo.

Mas o fogo não me queimava.
Ele me chamava.

Era ele.

O toque. A pele. O cheiro.
Riven estava no meu sonho...
E no meu corpo.

Acordei suada.
Ofegante.

E ele estava lá.

— Você veio de novo — sussurrei.

— Eu senti você me chamar. Estava gemendo meu nome dormindo.

Quis morrer de vergonha.
Ou beijá-lo de novo.
Talvez os dois.

— Você vai me enlouquecer — murmurei.

Ele se aproximou, puxou minha cintura e encostou a boca no meu ouvido.

— Não.
Eu vou te libertar.

E então... ele mordeu levemente o meu pescoço.

E eu... cedi.


CAPÍTULO 8: A PRESA E O PREDADOR

Narrado por Eleonor

Ele me mordeu.
Mas não machucou.

Foi uma mordida de aviso.
De domínio.
De promessa.

Minha pele formigava.
O corpo inteiro respondeu.

— Você é minha — ele rosnou.

Mas antes que eu pudesse responder… a floresta gritou.

Galhos se partiram.
O vento virou.
E uma sombra surgiu entre as árvores.

Outro lobo.

— Tem alguém aqui — sussurrei.

Riven se colocou na minha frente, os olhos em fúria.
— Fique atrás de mim.

O outro lobo — enorme, negro como a noite — se aproximou devagar, com olhos vermelhos.

— O que quer? — Riven grunhiu.

A resposta foi clara:

— Ela.
A ligação chamou outros.

Mas ele rosnou alto, selvagem, pronto pra guerra:

— Ela já é minha.


🐺 CAPÍTULO 9: O CHEIRO DO DESEJO

Narrado por Eleonor

Depois que Riven expulsou o invasor, me puxou pela mão e me levou floresta adentro.

— Agora não é mais seguro. Eles vão sentir você. Vão querer provar.

— Provar?

— Seu cheiro mudou, Eleonor. Você carrega meu desejo agora.

Fiquei em silêncio.
Sentia o corpo em chamas.

Paramos perto de uma nascente.
Ele me encostou numa árvore.
Os olhos fixos nos meus lábios.

— Está com medo? — perguntou.

— Sim... e não.

Ele riu baixo.
Uma risada perigosa.
Deliciosa.

— Vai ser melhor se parar de lutar.

E então me beijou como se o mundo fosse acabar.
As mãos dele eram firmes.
A boca quente.
O desejo cru.

Me perdi ali.
Na água.
Na terra.
No cheiro dele em mim.


🐺 CAPÍTULO 10: FOME

Narrado por Eleonor

Passamos a noite juntos.

Não dormindo.

Ele era faminto.
Brutal.
Mas também paciente.
Sabia o momento certo de me devorar.

E eu deixei.

Meu corpo já não me pertencia.

Na manhã seguinte, ele me observava como se ainda não tivesse se saciado.

— Você quer mais — ele disse.

— Sim.

Ele se aproximou devagar, encostou a testa na minha e sussurrou:

— E isso é só o começo.

Mas mal tive tempo de responder.

O chão tremeu.

— O que é isso? — perguntei.

— Estão vindo mais.

— Por mim?

Ele assentiu.

— Pela ligação.

— O que a gente faz?

Ele me ergueu nos braços.

— A gente corre.


🐺 CAPÍTULO 11: CAÇADA

Narrado por Eleonor

Corríamos.

Ele me carregava como se eu fosse leve.

Mas eu sentia o calor dos outros se aproximando.
Outros alfas.
Outros machos.

— Por que eles me querem?

— Porque agora você é um elo raro.
Curandeira. Ligada a um alfa sombrio.
Você é... poder.

Ouvi uivos atrás de nós.

Mais de um.

— Eles vão te tomar de mim se puderem — ele grunhiu. — Mas eu vou matá-los antes.

Me arrepiou inteira.

Paramos num desfiladeiro.

— Estamos cercados.

— Não importa — ele disse.
E seus olhos brilharam em azul gelo.

— Agora eles vão conhecer o verdadeiro Alfa das Sombras.


🐺 CAPÍTULO 12: O DESAFIO

Narrado por Eleonor

Cercados.
Cinco lobos.
Olhos de fogo.
Dentes à mostra.

Riven me colocou atrás de si.

— Vocês sabem o que ela é — ele disse, a voz baixa, perigosa.

Um dos alfas avançou um passo.
Era lindo. Selvagem. E me conhecia.

— Eleonor. Você não é dele. Era minha antes disso.

Meu coração parou.

— Cale a boca, Cael — Riven rosnou. — Toque nela e eu arranco sua garganta.

— Acha que pode enfrentar todos nós?

Foi aí que Riven sorriu.
Um sorriso cruel.

— Eu sou o Alfa das Sombras.

E então ele mudou.

Lobo. Enorme. Negro. Com olhos em azul congelante.

O ataque foi instantâneo.

Dentes. Garras. Terra voando.

Ele rasgava, mordia, destruía.

— Riven! — gritei.

Mas ele estava em sangue.

E eu…

Eu sentia prazer com aquilo.
Ver ele me proteger.
Me reivindicar.

E quando voltou à forma humana, ferido, ensanguentado...
Me puxou pelos cabelos e sussurrou:

— Você me pertence.


🐺 CAPÍTULO 13: MARCADA

Narrado por Eleonor

Ele me jogou contra a árvore, o corpo quente, duro, colado ao meu.

— Eles vão voltar. E eu preciso garantir que ninguém mais toque em você.

— Como?

Os olhos dele brilharam.

— Vou te marcar.

O instinto me disse o que isso significava.

Sexo.
Ligação definitiva.
Alfa e fêmea.
Para sempre.

— E se eu não quiser? — provoquei.

Ele sorriu, os dedos deslizando pela minha coxa.

— Você já quer. Está molhada por mim.

E estava.

O mundo desapareceu.

Ele me tomou ali mesmo, na floresta.

Bruto. Feroz. Profundo.

E quando gozamos juntos, ele mordeu meu ombro com força.

E foi ali que eu soube.

Nunca mais seria de mais ninguém.


🐺 CAPÍTULO 14: OS SUSSURROS DAS SOMBRAS

Narrado por Eleonor

Depois da marca, eu via coisas.
Sonhos estranhos.
Lugares que nunca fui.
Pessoas que pareciam… me chamar.

Riven percebeu.

— As sombras estão te escolhendo — ele disse. — A ligação nos tornou algo... além.

Fiquei em silêncio.

— Isso é perigoso?

— É... se você lutar contra. Mas se abraçar isso, Eleonor... será mais forte que qualquer curandeira que já existiu.

De repente, senti uma dor na cabeça.

— Eles estão vindo de novo.

— Não — ele disse. — Isso é outra coisa.

Fechou os olhos. Respirou.

— O Conselho dos Alfas. Eles sabem sobre nós agora.

— E vão nos separar?

Ele me olhou com os olhos brilhando.

— Só por cima do meu cadáver.


🐺 CAPÍTULO 15: ESCOLHIDA

Narrado por Eleonor

Riven me levou até uma caverna antiga.
Ali, entre pinturas e símbolos, fizemos um ritual antigo.

Fogo. Sangue. Oração.

— Fale seu nome completo — ele pediu.

— Eleonor da Luz.

— Agora diga: eu escolho o Alfa das Sombras.

— Eu escolho o Alfa das Sombras.

— E me entrego?

— De corpo, alma e instinto.

O chão tremeu.

Luz.
Sombra.
E nossos corpos se fundiram de novo.

Ele me fez gritar o nome dele com os dedos enterrados em mim, o cheiro de terra e desejo no ar.

E quando acabou, ele me olhou, suado, marcado, ofegante.

— Agora você é minha alfa também.


Algo Está Diferente em Mim

ELEONOR

Tem algo errado comigo.

Ou talvez certo. Não sei mais.

Minhas mãos tremem quando toco a água. Minha pele arde — não de febre, mas de algo que pulsa por dentro. Uma energia que não era minha antes. Que não existia.

Riven está me observando. Como sempre. Como se minha respiração significasse a diferença entre o mundo seguir ou acabar.

— Você está sentindo? — ele pergunta, com os olhos que agora não param mais de mudar de cor.

— O quê?

— O seu corpo. Ele está... reagindo. Ao laço. À ligação.

Coloco a mão na barriga sem perceber. Está inchada? Não... É cedo demais.

— É impossível — sussurro.

Riven se aproxima, os dedos grossos tocando minha cintura. Ele não precisa dizer nada. Eu sinto nele. Um instinto de proteção feroz. O tipo que poderia derrubar montanhas.

— Você está carregando meu herdeiro, Eleonor. E ele tem o sangue sombrio. Você precisa estar preparada... para o que isso vai fazer com você.

Capítulo 17 – Desejo Selvagem

ELEONOR

As noites estão quentes demais. Minha pele grita. Eu me contorço nos lençóis como se houvesse um fogo queimando dentro de mim — e talvez haja.

Riven não dorme mais. Ele fica sentado ao meu lado, os olhos fixos em mim, os músculos tensos como uma fera em vigília.

— Você precisa de mim — ele diz, rouco, sombrio, quase quebrado.

— Não é só desejo, Riven. Tem algo errado comigo. Eu estou mudando...

Ele se deita comigo, o corpo nu pressionando o meu com uma fome quase desesperada. Mas ele não me toma. Não ainda.

Ele sussurra no meu ouvido:

— Eu não posso te machucar. Mas o que há dentro de você... pode. E só eu consigo domá-lo.

Quando nossas bocas se encontram, não é beijo. É um pacto.

Quando ele me toca, não é carícia. É uma rendição.

E quando eu grito seu nome no escuro, não é paixão. É sobrevivência.

Capítulo 18 – A Revelação dos Anciãos

ELEONOR

A floresta geme com o som de tambores antigos.

Riven me acorda com os olhos negros como a noite. Ele está com sangue no rosto. Não dele.

— Eles sabem. Os anciãos. Eles sentiram a marca.

— O que isso significa?

— Que vão tentar te matar. A vocês dois. Antes que ele nasça.

Eu não sabia que o medo podia congelar o coração. Mas quando Riven me carrega nos braços, correndo pela floresta em direção ao antigo círculo de pedras, eu entendo o que é estar no meio de uma guerra silenciosa.

— Vamos proteger o herdeiro — diz ele. — Mesmo que isso custe a minha alma.

Capítulo 19 – Entre o Sangue e a Promessa

ELEONOR

A dor me atravessa.

Não física. É uma dor ancestral, que vibra nos ossos, no sangue, no meu útero.

No centro do círculo, Riven invoca as sombras. Elas dançam ao nosso redor como lobos invisíveis, uivando memórias antigas, segredos de alcateias extintas.

— Jure por mim — ele diz, ajoelhando-se diante de mim. — Que vai lutar por ele. Por nós.

Minhas mãos estão cobertas de símbolos. Runa por runa, traçadas em meu ventre com sangue de alfa. A magia que ninguém mais ousa usar.

— Eu juro. — minha voz treme. — Pelo seu nome. Pelo meu. Pelo que cresce dentro de mim.

Riven me beija ali mesmo, em meio ao caos. Um beijo com gosto de fim e começo. E eu sinto. Eu vejo. Um futuro. Um filho de luz e sombra. E a guerra que ainda está por vir.

Mas antes disso...
Vamos queimar o mundo juntos.


Capítulo 20 – O Cerco

ELEONOR

O céu ficou escuro como se o próprio mundo estivesse prendendo a respiração.

Eles vieram.
Cinco alfas, antigos, exilados.
Todos os que odiam Riven.
Todos os que querem matar meu filho.

A floresta vibra. As sombras gritam. Riven vira uma criatura feita de raiva e instinto.
Mas ele sangra. Por mim. Pelo herdeiro. Pela promessa.

— Não ousem tocá-la — ele ruge, enquanto o chão se parte sob seus pés.

Eu não sou uma loba. Mas sou algo agora.
Algo novo.
Algo que queima por dentro.

E quando um deles tenta me atingir, meu corpo reage.
Luz dourada. Garras de fogo. Uma força que não conhecia toma conta de mim.
Eles recuam.

— O que você é? — um deles pergunta, com medo.

— Eu sou a fêmea do Alfa das Sombras.
E vocês nunca mais vão esquecer esse nome.


Capítulo 21 – O Nascimento

ELEONOR

Meu corpo está em guerra.

Dói. O mundo gira. Riven me carrega como se eu fosse feita de vidro e lava.
Mas eu não sou frágil. Eu sou mãe. E ele vai nascer agora. Aqui.
Em meio a sangue, magia e juramentos quebrados.

— Aguenta, Eleonor — ele diz, ajoelhado entre minhas pernas, desesperado.

— Ele vem, Riven. Eu o sinto...

Um trovão. Um uivo. A lua grita por nós.

E então, no meio da clareira iluminada pelas sombras vivas, meu filho nasce.
Com olhos que não decidem se querem ser prata ou negros.
Com um grito que faz até os anciãos calarem.

Ele é lobo.
Ele é luz.
Ele é sombra.

E ele é nosso.

Riven chora. O Alfa chora.

Eu sorrio.
Mesmo sangrando.
Mesmo partindo em mil pedaços.

Porque agora sei: ele vai mudar tudo.


Capítulo 22 – O Novo Alfa

ELEONOR

O campo de batalha está silencioso.

Os antigos fugiram. O medo ainda paira. Mas algo mudou.
As sombras... obedecem a mim agora.

— Você se tornou mais que curandeira — diz Riven, tocando meu rosto com reverência. — Você é rainha. Você é fogo e raiz. Você é... tudo.

Nos beijamos ali, com nosso filho entre nós.
E eu juro que não há poder maior que esse.

Mas sinto algo além da alegria. Uma presença.

Uma nova ameaça se aproxima.
Mais antiga. Mais cruel.
Algo que sussurra: “o herdeiro não deveria existir.”

— Eles virão de novo — digo, de olhos fechados. — E da próxima vez, não será só a alcateia que estará em jogo...

Riven sorri. Um sorriso perigoso.

— Então que tragam o inferno.
Porque agora somos três.
E três... é o número do destino.


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>>>>>  Filho da Maldição , Herdeiro das Sombras 


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