Filho da Maldição: Herdeiro das Sombras"
A continuação de “O Alfa das Sombras Me Escolheu”
📖 Capítulo 1 – A Luz e o Sangue
(Narrado por Eleonor)
Quando segurei meu filho pela primeira vez, senti algo que nem os livros antigos, nem as visões da Lua, conseguiram me preparar.
— Ele... tem seus olhos, Riven — sussurrei, encarando o bebê envolto em calor e sombras, os olhos cerrados, mas o poder... vibrando em ondas ao nosso redor.
Riven estava ao meu lado, ajoelhado, mãos trêmulas, olhos escuros como a meia-noite antes da primeira nevasca. Mas não era medo o que o paralisava.
Era reverência.
Nosso filho nasceu sob a lua cheia. As sombras se curvaram ao redor do berço de pedras, como se até as trevas reconhecessem o que havia vindo ao mundo.
— Ele é... mais do que eu esperava — murmurou Riven. — Mais do que eu mereço.
Mas no instante em que os olhos do bebê se abriram... eles brilharam com um dourado profundo. Fogo. Sombra. Instinto. Luz.
E então, eu soube.
A ligação dele com este mundo seria tão perigosa quanto a do pai.
Ou pior.
Foi nessa noite que ouvi o chamado.
Não da floresta.
Não da alcateia.
Mas da profecia esquecida pelos antigos. A que falava de um filho nascido da união entre a luz curativa... e o alfa amaldiçoado.
Um filho que uniria ou destruiria.
E a decisão começava comigo.
📖 Capítulo 2 – Sussurros no Berço
Narrado por Eleonor
Eu achava que bebês choravam. Mas o meu... silenciava o mundo.
A cada noite, quando ele sonhava — porque ele já sonhava —, as velas tremeluziam sozinhas.
A madeira estalava.
As sombras se moviam.
— Ele sente tudo... — murmurei para Riven, que observava o filho como se fosse tanto milagre quanto maldição.
Na terceira noite, quando ele abriu os olhos durante um pesadelo e me fitou com aquele dourado ardente, a voz da Lua ecoou em mim:
A criança trará o equilíbrio. Ou o fim.
Meus dedos tremeram sobre sua testa.
Eu não sabia mais se o estava protegendo do mundo — ou o mundo dele.
📖 Capítulo 3 – Os Filhos do Vento Escuro
Narrado por Eleonor
Acordei com o som de algo... rosnando.
Mas não vinha de fora.
Vinha de dentro da casa.
De dentro do berço.
Meu filho.
Ele rosnava. Para o vazio.
— Ele viu algo — disse Riven, e seus olhos mudaram. Cinzentos. Gélidos. Um presságio.
“Eles sabem que ele nasceu.”
Eles. Os Filhos do Vento Escuro.
Lobos exilados. Criaturas do sangue antigo.
Odiavam Riven.
Temiam o que ele era.
E agora... buscavam nosso filho.
Naquela noite, fiz o colar que ele usaria para sempre. Com minhas lágrimas, com meu sangue e com uma pedra lunar.
E jurei que ninguém, ninguém, tiraria ele de mim.
Nem mesmo a morte.
📖 Capítulo 4 – Riven, o Pai
Narrado por Eleonor
Riven nunca foi gentil.
Ele era força. Fúria. Alfa.
Mas com o filho…
Ele se curvava.
Cantava — ou tentava.
Dormia ao lado do berço.
Vigiava como fera.
E quando segurava nosso pequeno nos braços, seus olhos ardiam.
Ele dizia pouco. Mas naquela noite ele sussurrou:
— Eu destruí reinos por menos, Eleonor.
E por ele? Eu queimaria o mundo.
Fiquei em silêncio.
Mas no fundo… sabia que o mundo talvez realmente precisasse queimar.
Porque ele — nosso filho — já estava atraindo forças que nem o pai conhecia.
E quando a floresta começou a apodrecer por dentro, soubemos: algo estava vindo.
📖 Capítulo 5 – A Marca da Lua Negra
Narrado por Eleonor
Foi uma manhã fria quando percebi a marca.
Um pequeno círculo escuro… nas costas do bebê.
Como uma lua, mas invertida.
Sombria. Ardente. Pulsando.
Riven a viu e congelou.
— Isso é... impossível.
Mas não era.
Os antigos diziam que a Lua Negra só aparecia uma vez em milênios.
Marcava aquele destinado a ser o elo entre vivos e mortos.
Entre sombras e luz.
Entre Alcateias e maldições.
— Ele é o elo, Riven — sussurrei, segurando nosso filho com mais força do que nunca. — Ele não nos pertence mais. Ele pertence à profecia.
Mas no fundo… ele ainda era meu bebê.
E eu jurei que nenhuma lenda o levaria.
Nem mesmo a Lua.
📖 Capítulo 6 – O Sussurro dos Exilados
Narrado por Eleonor
Os olhos do bebê brilhavam na penumbra, refletindo um poder que eu não compreendia. A floresta ao redor da casa parecia respirar em alerta — folhas farfalhavam, sombras se moviam.
Riven dizia pouco, mas eu sentia o peso do medo dele. Aqueles que uma vez o expulsaram das Terras Vazias estavam voltando. Eles queriam o bebê. Queriam o poder que ele carregava.
Quando ouvi os primeiros passos furtivos na escuridão, agarrei o colar lunar do nosso filho e murmurei: “Eles não vão te levar. Eu prometo.”
📖 Capítulo 7 – A Tempestade no Horizonte
Narrado por Eleonor
A noite caiu com um silêncio pesado, como antes de uma tempestade devastadora. Riven me puxou para perto, seus músculos tensos, olhos de predador.
— Está vindo — ele sussurrou. — Prepare-se para a guerra.
Eu nunca soube que a guerra podia parecer tão bela e aterrorizante ao mesmo tempo. Enquanto a lua cheia brilhava forte, nossos corações batiam em uníssono.
O amor que me prendia a ele era tão feroz quanto o instinto de proteger nosso filho, e naquela noite, prometi que lutaríamos até o último suspiro.
📖 Capítulo 8 – O Cerco das Sombras
Narrado por Eleonor
Eles chegaram na madrugada. Silenciosos, mas inconfundíveis: os Filhos do Vento Escuro, olhos vermelhos, corpos ágeis e letais. Cercaram nossa casa como uma maré sombria prestes a engolir tudo.
Riven rugiu — a fúria de um Alfa pronto para defender seu território. Eu senti seu poder se elevar, uma aura de fogo e gelo misturados em sua pele.
Segurei firme nosso filho. Aquele momento, entre o caos, mostrou que o amor pode ser a arma mais forte de todas.
📖 Capítulo 9 – A Marca Revelada
Narrado por Eleonor
Na luta, uma garra riscou meu braço. A dor queimou, mas algo dentro de mim despertou. A marca no nosso filho pulsava em resposta, e eu compreendi que aquela conexão era além da carne — era destino.
Riven gritou meu nome, e eu soube que aquela batalha era apenas o começo. Um novo poder nascia dentro de nós, e a profecia começava a se cumprir.
— Você é mais forte do que pensa, Eleonor — ele disse, puxando-me para perto, nossos lábios se encontrando num beijo cheio de urgência e promessa.
📖 Capítulo 10 – Sob a Luz da Lua Negra
Narrado por Eleonor
Com o sol nascendo, olhei para Riven e para nosso filho, sentindo o futuro incerto e perigoso que nos esperava. A marca da Lua Negra brilhava ainda mais forte, e eu sabia que o mundo nunca mais seria o mesmo.
Mas enquanto eu segurava meu filho no colo, sentia que, juntos, éramos invencíveis. O Alfa, a curandeira, e a criança que mudaria tudo.
— Estamos só começando — eu sussurrei, enquanto a lua desaparecia no horizonte.
📖 Capítulo 11 – O Primeiro Uivo
Narrado por Eleonor
Os dias seguintes foram de silêncio... o tipo de silêncio que antecede uma tempestade.
Nosso filho — Kieran — nasceu com olhos prateados e um coração que pulsava forte como o de um Alfa. Mas era mais do que isso. Eu podia sentir. Ele herdara algo ancestral. Algo que chamava a escuridão... e a reverenciava.
Numa madrugada gelada, acordei com o som mais puro e selvagem que já ouvi.
Kieran... havia uivado.
Não era choro. Não era um som humano. Era um uivo pequeno, frágil, mas que reverberou pelas árvores como se toda a floresta o ouvisse.
Riven entrou no quarto segundos depois, os olhos em chamas.
— Ele chamou a alcateia — murmurou. — Mesmo sem saber.
E não demorou. Eles vieram.
📖 Capítulo 12 – Visitantes na Névoa
Narrado por Eleonor
Não eram aliados. Nem inimigos declarados.
Eram lobos exilados. Errantes. De pelagens escuras como sombras, olhos manchados por maldições e promessas não cumpridas.
Vieram por causa de Kieran.
— A criança nasceu sob a Lua Negra — disse uma fêmea de voz rouca. — Ele carrega o eco da Primeira Marca.
Riven ficou entre mim e eles. O lobo dele vibrava sob a pele.
— Toquem nele... e morrem.
Mas eles não queriam guerra. Queriam... seguir.
Ser liderados. Por um Alfa que nasceu da cura e da maldição.
Por um bebê.
E de repente, percebi.
O destino de Kieran não era fugir da sombra.
Era guiá-la.
📖 Capítulo 13 – Sangue por Sangue
Narrado por Eleonor
O que parecia ser apenas um chamado se transformou em batalha.
Nem todos aceitaram o nascimento de Kieran. Nem todos queriam ver um novo legado surgir, ainda mais um que unia o Alfa banido e a curandeira dos antigos.
Naquela noite, fomos atacados.
Fogo. Garra. Magia.
Riven lutou com fúria silenciosa. Eu comandei a defesa com raízes, ervas e encantamentos esquecidos.
Mas foi Kieran quem nos salvou.
Ele não chorou. Ele brilhou.
Um clarão envolveu o vilarejo, espantando os invasores com uma força que não vinha de mim... nem de Riven. Era dele. De Kieran.
— Ele protegeu todos nós — murmurei, ofegante, com o bebê ainda em meus braços.
Riven se ajoelhou diante dele. Pela primeira vez, o Alfa se curvou.
— Meu filho... meu lobo da lua negra.
📖 Capítulo 14 – A Chama Dentro de Mim
Narrado por Eleonor
Eu não era mais a mesma.
Sentia isso quando tocava a terra e ela respondia antes do meu feitiço.
Quando meus olhos escureciam em plena luz do dia.
Quando meus dedos queimavam como brasa ao proteger meu filho.
Naquela noite, ao tentar curar um dos lobos feridos na batalha, minha pele brilhou.
Literalmente.
Meus pulsos se cobriram de símbolos antigos, que queimavam como fogo sob a pele. E pela primeira vez... eu não precisei de ervas. Só toquei. E ele se curou.
Riven viu. Seu olhar era de algo entre adoração... e medo.
— Você não está mais só conectada à magia — ele murmurou. — Você é a própria fonte.
Algo estava acordando dentro de mim. Algo que a Lua Negra não só revelou... mas alimentou.
📖 Capítulo 15 – Vozes do Sangue
Narrado por Eleonor
Fui até o antigo bosque sozinha. Algo me chamava. Uma voz que parecia minha... mas não era.
Ao tocar uma pedra marcada por runas esquecidas, vi.
Vi mulheres.
Líderes. Guerreiras. Curandeiras que queimaram vivas por carregarem a mesma marca que agora estava em mim.
— Você é a descendente da Primeira Guardiã — sussurrou a voz ancestral. — E o tempo da adormecida acabou.
Meus dedos se fecharam com força. O chão respondeu. As folhas flutuaram. E um lobo de pura luz se formou diante de mim.
Minha alma-loba.
— Agora você entende — ela disse. — Você não é só a fêmea do Alfa.
Você é a alfa do mundo que virá.
📖 Capítulo 16 – O Coração Selvagem
Narrado por Eleonor
Voltei para casa diferente. Sentindo meu poder pulsar como um segundo coração.
Riven me olhou como se me visse pela primeira vez. Mas não se afastou. Sorriu.
— Então agora somos dois alfas. — Ele disse, puxando-me para perto.
— Não — respondi, sorrindo com os olhos cheios de energia crua. — Somos três.
Naquela noite, sob a lua cheia, os três uivamos juntos — eu, Riven e Kieran.
Três corações ligados pelo instinto. Três forças despertas por uma profecia viva.
Mas sabíamos... o mundo lá fora não ia aceitar isso facilmente.
E quando a escuridão bater novamente na nossa porta...
não vamos correr.
Vamos devorar.
📖 Capítulo 17 – O Clã das Garras de Prata
Narrado por Eleonor
Eles vieram quando a lua estava mais alta.
Silenciosos como o vento, cruéis como lâminas.
O Clã das Garras de Prata. Antigos inimigos de Riven. Exilados como ele. Mas eles não buscavam vingança.
Eles queriam Kieran.
— A criança da Lua Negra pertence ao novo tempo — disse o líder deles, com olhos como gelo rachado.
— E vocês... não foram escolhidos. Apenas sortudos.
Meu sangue ferveu.
— Ele não é uma arma. Ele é meu filho.
— Então morrerão com ele — ele respondeu, antes de se lançar na escuridão.
📖 Capítulo 18 – A Queda da Floresta Silenciosa
Narrado por Eleonor
Eles atacaram de madrugada. Lobo contra lobo. Magia contra maldição.
Lutei com as mãos cobertas de luz, meu lobo interior rugindo dentro de mim.
Riven era um furacão. Um deus da guerra com olhos em chamas.
Mas mesmo com nossa força unida... perdemos parte da floresta.
Ficamos feridos.
E alguém... nos traiu.
— Eles sabiam por onde entrar. Alguém passou a localização — Riven rosnou, coberto de sangue.
Naquela noite, olhei para nosso lar em chamas e fiz um voto:
Nunca mais esperaríamos o ataque.
Seríamos o ataque.
📖 Capítulo 19 – As Almas Esquecidas
Narrado por Eleonor
Partimos.
Fomos em busca das alcateias esquecidas. Aquelas que, como nós, foram banidas, perseguidas, caçadas.
Riven liderava. Kieran em meus braços. E eu... sentia algo crescer dentro de mim.
Não era só poder. Era uma semente. Uma nova vida.
E assim que pisamos no território do Norte Gelado, uma loba ancestral se aproximou, olhos embaçados, voz de vento:
— A estrela do quarto lobo já brilha sobre você.
Meus olhos se arregalaram.
— Quarto?
Ela assentiu.
— Um nascerá sob o eclipse. Ele selará o destino das alcateias unidas... ou as destruirá.
📖 Capítulo 20 – O Elo de Sangue e Chama
Narrado por Eleonor
A aliança foi selada com sangue.
Quatro alcateias. Um juramento. Uma guerra iminente.
Enquanto isso, meu corpo já dava sinais.
A conexão com Kieran me fizera mais forte. Mas agora... algo se movia dentro de mim. Algo velho. Primitivo. Absoluto.
— Você está mudando de novo — Riven disse ao tocar minha pele febril. — Está... abrindo caminhos.
— É o quarto lobo — sussurrei. — E ele não virá em paz.
Naquela noite, sonhei com uma criança de olhos negros e garras de ouro.
E acordei com uma única certeza:
o fim do mundo antigo está vindo.
E ele virá pelas minhas mãos.
📖 Capítulo 21 – A Guerra Começa nos Sussurros
Narrado por Eleonor
A floresta estava estranhamente quieta.
Como se o próprio mundo estivesse prendendo a respiração.
Desde que firmamos a aliança com as outras alcateias, houve paz. Mas não era real. Era o tipo de silêncio que vem antes da explosão.
— Eles estão reunindo forças no sul — disse Riven, seu olhar fixo no mapa. — E esperando que a gravidez te enfraqueça.
— Que tentem — sussurrei.
Eu podia sentir. Esse bebê era uma tormenta que crescia dentro de mim.
E eu estava me tornando o que ninguém esperava. Nem mesmo eu.
📖 Capítulo 22 – Ecos de Sangue Antigo
Narrado por Eleonor
Encontrei um livro escondido no santuário das Irmãs da Lua.
Nele, estava escrito sobre o “Sangue Duplo” — uma linhagem rara que unia magia ancestral e maldição lupina.
Riven não falou nada, mas seus olhos disseram tudo.
— É por isso que eles querem nossos filhos.
— É por isso que eu... estou mudando.
Minha pele queimava por dentro.
Kieran, agora com olhos dourados, já demonstrava dons de empatia e controle.
E o bebê em meu ventre... fazia a terra estremecer quando eu dormia.
Não éramos mais só uma família.
Éramos a ameaça que o mundo temia.
📖 Capítulo 23 – Sob a Pele do Inimigo
Narrado por Eleonor
Mandamos espiões. Perdemos três.
A quarta voltou, coberta de mordidas, e com uma mensagem gravada na pele:
"O bebê é a chave. Entreguem-no, ou preparem-se para a extinção."
Não havia mais dúvida.
Eles não queriam guerra.
Queriam sacrifício.
Meu filho, meu sangue.
Riven me puxou para junto dele naquela noite, com os olhos vermelhos de raiva e desejo.
— Eles vão provar o gosto da nossa fúria.
E você, minha loba...
vai comandar o primeiro ataque.
📖 Capítulo 24 – O Cerco de Fogo e Gelo
Narrado por Eleonor
Fomos até eles. Não mais escondidos.
Não mais fugindo.
No cerco à fortaleza dos Garras de Prata, eu liderava.
Com minha barriga erguida, e o poder das marcas ancestrais pulsando sob minha pele, gritei a primeira ordem de ataque.
Kieran ficou protegido atrás das linhas.
Mas sua mente me alcançou:
“Mamãe... o bebê tá com raiva.”
Meu corpo inteiro tremeu.
No instante seguinte, uma coluna de luz saiu de mim.
Gritos. Cinzas. O fogo da terra se abriu.
E o mundo viu o que nascia ali:
Uma deusa entre lobos.
📖 Capítulo 25 – O Nome do Quarto Lobo
Narrado por Eleonor
O campo de batalha ficou para trás.
Mas a profecia se aproximava.
Numa caverna ancestral, cercada por magia, dei à luz em silêncio.
Riven estava ao meu lado. Kieran, de mãos dadas com a curandeira mais antiga do clã. E a lua, negra como antes.
— Ele nasceu no eclipse... — alguém sussurrou.
A criança abriu os olhos.
Eram prateados.
Sem pupilas.
Ele não chorou.
Apenas me encarou como se já soubesse de tudo.
Como se dissesse:
“Agora começa.”
Eu o segurei contra meu peito.
— Bem-vindo, Caelan.
Meu quarto lobo.
Meu presságio de fogo e ruína.
Meu milagre.
📖 Capítulo 26 – A Primeira Visão
Narrado por Eleonor
Caelan dormia. Mas quando seus olhos prateados se abriam, o tempo mudava.
Na primeira noite de lua cheia após seu nascimento, ele estendeu a mãozinha e me tocou.
E tudo sumiu.
O mundo, Riven, Kieran.
Estávamos eu e ele... em um campo de batalha em chamas.
— Esse é o fim? — perguntei.
— Ainda não — ele respondeu com a voz de um homem.
A visão se desfez. Eu caí de joelhos, ofegando.
— O que aconteceu, Eleonor? — Riven segurou meus ombros.
— Caelan viu o futuro.
E ele sabe que um de nós vai morrer.
📖 Capítulo 27 – A Lua Se Parte
Narrado por Eleonor
Os anciãos vieram de todas as partes.
Queriam ver o bebê prateado.
Queriam entender o que era aquela criança que não chorava, mas fazia pedras flutuarem.
E foi sob o olhar deles que a Lua... rachou.
Sim. Um risco escuro cortou a esfera no céu.
A floresta enlouqueceu. Lobos uivaram, árvores explodiram em raízes, e Kieran desmaiou com o nariz sangrando.
— É a ruptura — disse uma das curandeiras.
— O véu entre os mundos está se rasgando.
Riven segurou Caelan nos braços.
— Então que se rasgue.
Nós já moramos entre dois mundos. Agora vamos governar os dois.
📖 Capítulo 28 – O Lobo Queimado
Narrado por Eleonor
Ele voltou.
Draven. O alfa traidor.
O que havia vendido a própria alma por poder, e queimado seu corpo ao tentar domar a Lua Negra.
Agora, seu pelo era cinza queimado, e os olhos, dois buracos de ódio.
— O bebê é meu por direito!
Ele gritou diante de toda a alcateia.
— Vai ter que passar por mim — Riven rosnou, já meio transformado.
— Não.
Vai ter que passar por nós.
Eu disse, me pondo ao lado do meu Alfa, e de Kieran, que já carregava o símbolo da Marca Tripla.
Era nossa família contra o inferno.
E nós éramos o próprio inferno quando unidos.
📖 Capítulo 29 – Caelan Desperta
Narrado por Eleonor
Caelan ficou em silêncio durante a luta.
Mas quando Draven tocou Kieran, meu bebê gritou.
E tudo... parou.
O tempo congelou. Literalmente.
A neve caiu e parou no ar.
Riven caiu de joelhos.
Eu vi meu reflexo em mil pedaços no céu.
Caelan flutuava.
Seus olhos brilhavam como luas gêmeas.
E sua voz, ainda de criança, ecoou como trovão.
— Eu sou o lobo do equilíbrio.
Quem tocar o sangue da minha mãe...
morre. Agora.
Draven foi reduzido a pó.
E a floresta curvou seus galhos diante do nosso filho.
📖 Capítulo 30 – A Última Profecia
Narrado por Eleonor
Caelan dormia outra vez.
Dessa vez, em paz.
Mas o templo antigo em que o escondemos para protegê-lo revelou a última parte da profecia.
Gravada na pedra, em runas de sangue:
“Quando quatro lobos de um só ventre correrem sob a lua,
o ciclo se encerrará.
E o mundo terá que escolher entre renascer... ou arder.”
Riven colocou a mão em meu ventre, lentamente.
— Você já sentiu?
— Ainda não... — eu disse. Mas sorri.
Sabíamos o que viria.
O último lobo.
A história estava prestes a se fechar.
📖 Capítulo 31 – A Criança das Quatro Luas
Narrado por Eleonor
O ventre pulsava.
Não como antes, com dor ou enjoo.
Agora era um calor… antigo. Primordial.
— Quatro? — Riven perguntou com os olhos apertados, quando a curandeira me examinou.
Ela assentiu, e completou:
— Não quatro filhos…
Um filho com quatro almas de lobo.
A profecia estava errada.
Não seriam quatro nascimentos.
Mas um único nascimento capaz de encerrar o ciclo lunar.
— O quarto lobo já está em você, Eleonor.
Mas ele não é como os outros.
Ele virá para que o fim aconteça.
📖 Capítulo 32 – O Coração da Floresta
Narrado por Eleonor
A floresta que antes nos protegia agora ardia em silêncio.
— Eles estão vindo — Kieran disse.
Seus olhos, que haviam se tornado dourados, agora brilhavam como espelhos.
O Conselho Lunar, um grupo de lobos celestiais exilados entre dimensões, emergiu sob o eclipse.
Vinham com tronos nas costas e línguas de luz como espadas.
— Vocês desafiaram o destino — disseram.
— Uma curandeira não devia gerar a semente do fim.
Riven ficou entre mim e eles.
— Ela é o meu destino.
Caelan apareceu ao nosso lado, com os pés descalços e a mão estendida.
— Eu os desafio.
Pelo direito de existir.
E então... o tempo parou de novo.
📖 Capítulo 33 – A Guerra Silenciosa
Narrado por Eleonor
Tudo aconteceu sem som.
Riven virou fera.
Kieran se multiplicou em cinco versões de si mesmo.
Caelan se ergueu como se fosse feito de constelações.
E eu?
Eu senti minhas mãos brilharem.
Não era só curandeira.
Era a Guardiã da Vida e da Morte.
O bebê em meu ventre não mexia.
Ele apenas... sonhava.
E a cada passo dado na batalha, os sonhos dele moldavam a realidade.
Árvores viravam muralhas.
Lobos viravam sombras.
A lua gêmea explodiu.
E então, do meio do caos, o meu filho sussurrou:
— Mãe, agora é com você.
📖 Capítulo 34 – A Escolha
Narrado por Eleonor
A marca brilhou nas minhas costas.
Os olhos de Riven estavam vermelhos de chorar e de lutar.
— Você vai morrer se fizer isso — ele disse.
— Ou todos morrem — respondi.
Porque para a quarta alma nascer, uma deveria partir.
Eu beijei Caelan.
Beijei Kieran.
Beijei Riven como se fosse a primeira vez.
E então entrei no Círculo Lunar.
O sangue pingou.
As estrelas apagaram.
— Eu sou Eleonor.
E não aceito um mundo onde meus filhos não possam viver.
A floresta explodiu em luz.
Os lobos celestiais caíram.
E o tempo recomeçou.
📖 Capítulo 35 – O Último Uivo
Narrado por Riven
Ela morreu.
Mas não como as lendas diziam.
Ela morreu rindo.
Com os olhos abertos para o céu, dizendo:
— Nós vencemos.
Eu a enterrei no Coração da Floresta.
Mas ela não descansou.
Porque do seu túmulo nasceu o nosso quarto filho.
O lobo da última lua.
Aquele que carregava o brilho dela nos olhos, e o meu uivo na alma.
Caelan segurou a mãozinha do irmão.
— O ciclo acabou.
Agora... a gente escreve um novo.
E foi assim que terminou.
Ou melhor, foi assim que começou uma nova era.
A era dos filhos da Lua Negra.
A era dos nossos filhos.
📖 Capítulo Final – Renascida pela Floresta
Narrado por Eleonor
A escuridão me abraçou. Fria, silenciosa... vazia.
Mas não era o fim.
Eu ouvi. Primeiro um sussurro. Depois, uma batida — não do meu coração, mas da Terra. Da Floresta. Do sangue antigo que ainda corria em mim.
“A linhagem não terminou. Você carrega o legado.”
Senti o calor subir da terra que me cobria. A luz pulsando sob a pele. Meu ventre ainda carregava a esperança — e a floresta sabia.
Meus dedos se moveram primeiro. Depois o peito arfou. A terra se abriu, gentil, como se eu fosse filha dela. E talvez fosse.
Abri os olhos. O céu estava coberto por nuvens cinzentas, e uma lua cheia avermelhada surgia no horizonte. A Lua de Sangue.
Eu me levantei, trêmula, suja, viva.
Grávida.
E inteira.
A mata sussurrava meu nome. As raízes se afastavam conforme eu caminhava.
A floresta me havia curado — mas não só isso.
Ela me transformou.
Meus sentidos estavam aguçados, minha força dobrada. Eu sentia cada alma de lobo ancestral correndo nas veias.
Eu era mais do que uma curandeira.
Eu era a Mãe da Nova Era.
Cheguei até a borda da clareira.
Kiran estava lá, brincando com Calen sob o olhar atento de Riven.
E quando ele me viu…
— Eleonor...? — a voz dele quebrou no meio da incredulidade.
— Voltei pra casa, Riven. — sorri. — Como a floresta quis.
Ele correu até mim. Me abraçou. Me cheirou como se duvidasse, como se esperasse acordar.
— Está viva… — ele chorou. — Você está viva.
— E carregando nosso quarto lobo. — sussurrei contra seu pescoço.
Ele caiu de joelhos. Em reverência. Em emoção.
Meus filhos vieram até mim. Me cercaram. Me tocaram, como se eu fosse feita de luz.
Naquela noite, sob a Lua de Sangue, nós uivamos juntos.
Uma nova matilha, um novo ciclo.
A Mãe.
O Alfa.
E seus herdeiros.
Nada poderia nos parar agora.
Fim.
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