Capítulo 1: A Vida Perfeita de Ângela
Eu olhei pela janela do avião, o azul infinito do Caribe se estendendo lá embaixo como um convite irresistível. Jamaica. Minha próxima parada no carrossel infinito de viagens que é a minha vida. Aos 27 anos, eu, Ângela Souza, a garota que saiu do interior de Minas Gerais para conquistar o mundo digital, tinha mais dinheiro no banco do que conseguia gastar. Meu apê no Leblon, de frente pro mar, era o sonho de qualquer um – mas pra mim, era só um lugar vazio onde Pipoca, minha calopsita mal-humorada, bicava o sofá e me olhava como se dissesse: "Você de novo?". Ela era a única que cabia na minha agenda caótica de voos e posts. Amor? Isso era um luxo que eu ainda não tinha conquistado.
O reality show da TravelVibes, essa empresa bombando nas redes, prometia ser épico: três meses numa ilha privada na Jamaica, com mais cinco influencers de cantos diferentes do mundo. Um intercâmbio de ideias, culturas e, quem sabe, conexões reais. Eu postei sobre isso no meu Insta: "Pronta para aventuras na Jamaica! O que vocês acham que vou descobrir por lá? 🌴❤️" Milhares de likes, mas nenhum preenchia o vazio.
Ao desembarcar no aeroporto de Montego Bay, o ar úmido e o cheiro de sal me envolveram. Um van da TravelVibes nos esperava. Eu fui a primeira a entrar, ajustando meus óculos de sol e o vestido leve que realçava minha pele bronzeada e cabelos cor de mel. Finalmente, algo diferente. Talvez aqui eu encontre alguém que veja além da tela.
Os outros chegavam aos poucos. Primeiro, Lurdes, a espanhola de cabelos pretos ondulados, com um sorriso radiante. "¡Hola! Sou Lurdes, de Madri. Adoro arte e viagens – vamos trocar ideias?" Ela disse, apertando minha mão com entusiasmo.
"Claro! Eu sou Ângela, do Brasil. Vamos arrasar nesse reality!" Respondi, sentindo uma conexão imediata.
Julia, a russa loira e impecável, veio em seguida, arrastando uma mala Louis Vuitton. "Oi, meninas. Julia aqui. Espero que essa ilha tenha Wi-Fi decente, ou vai ser uma furada total." Seu sotaque era afiado, e ela revirou os olhos dramaticamente. Ela parece cética, mas pelo menos é honesta.
Kamal, o africano descolado, entrou com uma energia contagiante, vestindo uma camisa florida e carregando uma roda de capoeira. "E aí, galera! Kamal do Quênia, mas com alma brasileira. Capoeira e artes marciais são minha vibe. Vamos sobreviver a isso juntos!" Ele piscou, e eu ri. Esse vai ser o animador do grupo.
Então, ele apareceu: Lucas. Alto, moreno, com aquela cor de praia que gritava "surfe e aventura". Seus olhos castanhos me fitaram diretamente. "Lucas, prazer. Venezuelano, mas cresci nos EUA. Pronto para explorar essa ilha." Sua voz era suave, sedutora. Uau, ele é lindo. Parece ter saído de um dos meus posts ideais.
Por último, Pedro, o americano loiro do Texas. Bonito, mas normal – nada chamativo como Lucas. "Oi, sou Pedro. Chef e viajante. Mal posso esperar para experimentar a culinária jamaicana... e brasileira, claro." Ele sorriu timidamente, ajustando a mochila. Ele parece legal, mas invisível perto dos outros.
Enquanto a van nos levava para a ilha, eu chequei meu Insta. Uma mensagem nova: de @Lucas_Viajante. "Mal cheguei e já estou encantado com a brasileira mais linda do grupo. Vamos surfar juntos?" Meu coração acelerou. Isso pode ser o início de algo real.
Capítulo 2: Observando as Ondas
Eu me encostei no assento da van, sentindo o balanço das estradas irregulares da Jamaica. Aos 29 anos, eu, Pedro Hayes, do Texas, tinha transformado minha paixão por comida e viagens em um império digital. Meu canal misturava receitas de rua com aventuras globais – e o Brasil era meu amor secreto. Feijoada em São Paulo, brigadeiro no Rio... Eu falava português fluente graças a uma ex-namorada brasileira, e isso sempre ajudava. Mas aqui, nesse reality da TravelVibes, eu era o cara "normal" no meio de estrelas. Loiro, atlético o suficiente para não fazer feio, mas sem o glamour exagerado.
Ângela é impressionante, pensei, olhando para ela discretamente. Cabelos cor de mel balançando, riso fácil – uma beleza brasileira autêntica, daquelas que não precisa de filtro. Ela veio do interior de Minas, como eu li no perfil dela, e agora morava no Leblon. Rica, famosa, mas com um olhar solitário que eu reconhecia. Ela merece mais que likes.
O grupo era eclético. Lurdes, a espanhola, já flertava abertamente com Lucas. "Lucas, você surfa? Eu adoraria uma aula particular!" Ela disse, batendo os cílios. Lucas riu, seu sorriso perfeito. "Claro, Lurdes. Vamos marcar." Ele é sedutor demais. Algo nele não cheira bem – aquelas fotos no Insta parecem posadas demais.
Julia, a russa, bufou ao lado. "Isso vai ser uma furada. Olhem essa ilha – parece isolada demais. E esse Lucas... tem cara de quem esconde algo." Ela sussurrou para mim, ajustando sua maquiagem impecável. "Concordo", respondi em voz baixa. "Mas vamos ver. Eu sou Pedro, aliás."
Kamal, o africano, animou o clima. "Galera, na Jamaica tem jerk chicken incrível! Pedro, você como chef vai pirar. E se rolar perrengue, eu cuido com capoeira." Ele demonstrou um movimento rápido, e todos riram. Esse cara é ouro – prático e forte.
Lucas se inclinou para Ângela. "Ei, brasileira, vi seu post sobre praias. Jamaica tem as melhores. Vamos explorar juntos?" Ângela corou. "Adoraria!" Cuidado, Ângela. Ele é charmoso, mas eu vi ele checando o celular de forma suspeita no aeroporto.
Chegamos à vila na ilha: cabanas luxuosas à beira-mar, câmeras da TravelVibes por todo lado. Eu me instalei na minha, pensando em como cozinhar algo local. Mas meu foco estava em Ângela. Ela parece carente. Se esse Lucas for problema, eu estarei lá.
Capítulo 3: O Primeiro Flirt
A areia quente da praia jamaicana queimava meus pés enquanto eu caminhava com o grupo para o jantar de boas-vindas. O sol se pondo pintava o céu de laranja, e o som das ondas misturava-se ao reggae ao fundo. Isso é o paraíso, mas por que eu ainda me sinto sozinha? Pipoca deve estar bicando o sofá em casa, me xingando por abandoná-la de novo.
Lurdes tagarelava sobre arte. "Essa ilha inspira! Vou postar pinturas das praias." Julia revirou os olhos. "Inspira? Parece mais uma armadilha turística. E esses negócios da TravelVibes... cheiram a golpe." Kamal riu. "Relaxe, Julia! Vamos dançar capoeira e sobreviver ao que vier."
Lucas se aproximou de mim, seu corpo forte e bronzeado brilhando. "Ângela, você é ainda mais linda pessoalmente. Seu Insta não faz justiça." Seus olhos me devoravam. Meu Deus, ele é perfeito. Como um sonho de praia. "Obrigada, Lucas. Você surfa mesmo? Quero aprender." Respondi, sentindo um arrepio.
Pedro observava de longe, mexendo em uma panela – ele insistiu em cozinhar jerk chicken com toques brasileiros. "Ei, galera, prove isso. Misturei com temperos do Brasil." Sua voz era calma, culta. Ele é fofo, mas Lucas... uau.
De repente, uma mensagem no meu celular: de Lucas. "Encontro na praia amanhã? Só nós dois." Meu coração disparou. Isso pode ser o amor que eu esperava. Mas Julia me puxou de lado. "Cuidado com ele, Ângela. Algo não bate." Eu ignorei. Brasileira não leva desaforo – vou descobrir sozinha.
Capítulo 4: As Regras do Jogo
Eu observava o grupo se acomodando nas cabanas à beira da praia, o sol poente da Jamaica tingindo tudo de um laranja dourado que parecia saído de um cartão-postal. A vila era impressionante: seis cabanas individuais espalhadas ao redor de uma área comum com fogueira, cozinha ao ar livre e uma piscina infinita que se fundia com o mar. Câmeras discretas – mas onipresentes – da TravelVibes capturavam cada movimento, lembrando que isso era um reality show, não férias comuns. Meu estômago roncava enquanto eu terminava de preparar o jerk chicken com um toque brasileiro: adicionei farofa e um molho de pimenta malagueta que eu trouxera na mochila. Cozinhar me acalmava, especialmente em meio a esse circo de personalidades.
Ângela parece animada, mas vulnerável, pensei, vendo-a rir com Lurdes enquanto arrumava sua cabana. Ela era o tipo de mulher que iluminava o ambiente – cabelos cor de mel dançando com a brisa, sorriso genuíno que contrastava com a solidão que eu intuía em seus olhos. Eu a seguia no Insta há meses: posts sobre praias escondidas no Brasil, dicas de viagens acessíveis, mas sempre sozinha nas fotos. Ela merece alguém real, não esse Lucas que cheira a encrenca. Ele já estava circulando como um tubarão, flertando com Lurdes abertamente e lançando olhares para Ângela. Seu perfil no Instagram era perfeito demais – fotos de surf em praias exóticas, legendas motivacionais –, mas algo não batia. Eu tinha visto ele no aeroporto, digitando furiosamente no celular e olhando ao redor como se esperasse problemas.
Julia se aproximou de mim na cozinha, cruzando os braços sobre seu vestido de grife. "Pedro, você é o único aqui que parece ter cérebro. Isso tudo é uma furada. Olha essas câmeras – eles vão editar para nos fazer parecer idiotas." Seu sotaque russo era cortante, mas havia uma vulnerabilidade por trás da fachada luxuosa. Ela postava sobre cosméticos e roupas de viagem, sempre esbanjando marcas, mas aqui, sem shopping centers, parecia deslocada.
"Concordo que é intenso", respondi em voz baixa, virando o frango na grelha. "Mas vamos ver o que a TravelVibes tem a dizer. Pelo menos a comida vai ser boa." Eu falei várias línguas – inglês nativo, espanhol fluente do Texas, português do Brasil e até um pouco de francês –, o que me ajudava a navegar grupos multiculturais como esse.
Kamal se juntou a nós, esticando os músculos como se preparasse para uma roda de capoeira. "Ei, chef! Isso cheira incrível. Na África, misturamos especiarias assim também. Se rolar aventura aqui, eu cuido da parte física – capoeira salva vidas!" Ele riu, seu corpo atlético brilhando sob o sol. Ele pode ser um aliado se as coisas ficarem estranhas com Lucas.
De repente, uma mulher elegante surgiu da trilha que levava ao píer. Vestida com um uniforme da TravelVibes – camisa polo branca com o logo estilizado de uma bússola –, ela carregava um tablet e um sorriso profissional. "Boa noite, influencers! Sou Maria Gonzalez, coordenadora do reality 'Intercâmbio Paradise'. Bem-vindos à nossa ilha privada na Jamaica!" Seu sotaque era neutro, provavelmente americano, e ela acenou para as câmeras. Nós nos reunimos ao redor da fogueira, o fogo crepitando enquanto o céu escurecia.
Maria começou a explicar, projetando um mapa da ilha no tablet. "Esse reality dura três meses e é sobre colaboração global. Vocês seis foram escolhidos por seus nichos únicos: viagens, arte, luxo, comida, artes marciais e lifestyle de praia. O objetivo é criar conteúdo coletivo que engaje milhões – posts colaborativos, desafios diários e lives que misturem suas culturas. Todos têm direitos iguais: acesso à ilha inteira, equipamentos de filmagem e Wi-Fi ilimitado. Mas há regras: postem pelo menos uma vez por dia, individual ou em grupo, usando a hashtag #IntercambioParadise. Haverá desafios semanais, como explorar cavernas ou cozinhar pratos locais, com prêmios como upgrades de seguidores ou parcerias. O foco é autenticidade – mostrem o real, não só o glamour."
Lurdes ergueu a mão, animada. "E sobre interações pessoais? Podemos... colaborar de formas mais pessoais?" Seus olhos foram para Lucas, que sorriu sedutoramente.
Maria riu. "Claro! Romance, amizades – tudo faz parte do show. Mas lembrem: segurança primeiro. A ilha é segura, mas sigam as trilhas marcadas. Qualquer problema, chamem pelo rádio." Ela distribuiu pulseiras com GPS e rádios embutidos. "Divirtam-se! Amanhã começa o primeiro desafio: uma caça ao tesouro cultural pela praia."
Enquanto Maria se afastava, o grupo explodiu em conversas. Lucas se aproximou de Ângela, tocando seu braço levemente. "Isso vai ser épico. Vamos postar juntos amanhã?" Ângela assentiu, corando. Cuidado, garota. Ele está jogando.
Eu servi o jantar, passando um prato para ela. "Prova isso, Ângela. Jerk chicken com tempero brasileiro – vai te lembrar de casa." Nossos olhos se encontraram por um segundo, e eu senti uma faísca. Ela é especial. Vou ficar de olho nesse Lucas.
Capítulo 5: Noites de Expectativas
A fogueira dançava sombras no rosto de todos enquanto eu mastigava o jerk chicken de Pedro – picante, saboroso, com aquele toque brasileiro que me transportou de volta às praias do Rio. Ele cozinha bem, hein? Diferente do Lucas, que parece viver de smoothies e poses. Aos 27 anos, eu tinha construído um império: saí do interior de Minas, onde a vida era simples e apertada, para um apê luxuoso no Leblon, de frente pro mar. Meu banco transbordava – mais que o Neymar, como brincavam meus seguidores –, mas o que adiantava? Pipoca, minha calopsita rabugenta, era minha única companhia fixa, bicando sementes e me julgando por viajar tanto. Eu preciso de alguém que fique, não que pose.
Maria, a coordenadora, tinha explicado tudo com empolgação: três meses de reality, posts diários, desafios colaborativos. "Autenticidade", ela disse. Fácil falar. Meu Insta é cheio de sorrisos, mas por dentro, é solidão. O grupo parecia animado. Lurdes já planejava posts artísticos com Lucas – "Vamos pintar o pôr do sol juntos!", ela disse, seus cabelos pretos voando com o vento. Julia bufou: "Autenticidade? Com câmeras em todo lugar? Isso é uma furada disfarçada de paraíso. E esses desafios... aposto que vão nos fazer suar por likes." Sua loira elegância contrastava com o ceticismo; ela postava sobre marcas de luxo, mas aqui, sem lojas, parecia inquieta.
Kamal, sempre o animador, bateu palmas. "Eu topo! Capoeira na praia ao nascer do sol – quem vem? Isso vai viralizar!" Seu entusiasmo era contagiante, e eu ri. Ele é forte, prático. Pode ser útil se a ilha tiver surpresas.
Lucas se sentou ao meu lado, seu corpo moreno e atlético roçando o meu acidentalmente. Aos 36, parecia 25 – surfista perfeito, com sotaque venezuelano misturado ao americano. "Ângela, imagine nós dois no desafio amanhã. Eu te ensino a surfar, você me mostra dicas brasileiras." Seus olhos castanhos brilhavam à luz da fogueira. Ele é sedutor. Meu coração acelera só de olhar. "Adoraria, Lucas. Vamos postar uma live juntos?" Respondi, sentindo um frio na barriga. Ele sorriu, tocando minha mão. "Perfeito. Você é a estrela aqui."
Pedro observava do outro lado, servindo mais comida. Ele era bonito de um jeito normal – loiro, olhos azuis, corpo de quem cozinha e viaja, não de academia. "Ei, Ângela, quer mais? Fiz pensando no Brasil." Sua voz era suave, culta, com português impecável. Ele é atencioso. Por que não noto mais nele? "Obrigada, Pedro. Tá delicioso!" Eu disse, mas minha mente estava em Lucas.
Mais tarde, na minha cabana – simples, mas chique, com rede na varanda e vista pro mar –, chequei meu Insta. Milhares de comentários sobre a chegada à Jamaica. Uma mensagem de Lucas: "Boa noite, bela. Sonhe comigo." Sorri, mas Julia me mandou uma DM: "Cuidado com o surfista. Algo nele fede a fake." Brasileira não leva desaforo. Vou descobrir sozinha. Deitei na cama, o som das ondas me embalando. Talvez aqui eu encontre o amor. Ou pelo menos, pare de me sentir tão sozinha.
Capítulo 6: Sementes de Dúvida
O amanhecer na Jamaica era mágico: o sol nascendo sobre o mar turquesa, pássaros cantando reggae natural. Eu acordei cedo, preparando um café da manhã simples – frutas tropicais, pão de mandioca que eu trouxera e um suco de manga fresco. Como chef de viagens, meu conteúdo era sobre fusões culturais: "Comida que conta histórias", como eu legendava nos posts. Mas aqui, no reality, o foco era colaboração. Preciso postar algo hoje – talvez uma live cozinhando com o grupo. Aos 29, eu tinha deixado o Texas para trás, viajando o mundo em busca de sabores autênticos. O Brasil me cativara: a feijoada, o calor das pessoas. Ângela personifica isso – vibrante, mas solitária.
Enquanto arrumava a mesa na área comum, ouvi passos. Kamal apareceu, alongando. "Bom dia, chef! Vamos uma roda de capoeira antes do desafio? Ajuda a sobreviver a esses três meses." Ele riu, seu corpo atlético pronto para ação. "Topo, Kamal. Mas primeiro, coma algo. Energia pra postar."
Julia surgiu em seguida, maquiada impecável mesmo de manhã. "Pedro, você é o salvador aqui. Essa ilha é linda, mas o Wi-Fi é lento – como vou postar sobre cosméticos sem conexão decente?" Ela reclamou, mas pegou uma fruta. "E o Lucas... vi ele ontem à noite no píer, falando no celular em voz baixa. Parecia nervoso. Furada total."
Ela tem razão, pensei. Lucas me incomodava desde o início. Seu perfil no Insta era impecável, mas eu pesquisei rápido antes de vir: algumas fotos pareciam roubadas de outros contas. Negócios obscuros? Preciso ficar atento. Lurdes chegou bocejando, olhos sonhadores. "Sonhei com pinturas na praia... e com Lucas." Ela corou. "Vamos colaborar hoje!"
Ângela veio por último, fresca como a brisa, em um biquíni e short jeans. "Bom dia, galera! Pronta pro desafio da caça ao tesouro." Seus cabelos cor de mel estavam soltos, e ela sorriu para mim. Ela é linda. Por que ela ignora os sinais?
Lucas apareceu, surfboard debaixo do braço. "Ei, time! Vamos arrasar. Ângela, ainda topa surfar depois?" Ele piscou, mas notei um hematoma discreto no braço – como se tivesse se machucado. Estranho.
Maria reapareceu com mapas. "Bom dia! O desafio de hoje: caça ao tesouro cultural. Encontrem itens jamaicanos – uma concha rara, uma receita local, uma dança tradicional – e postem colaborativamente. Trabalhem em pares aleatórios: Ângela com Lucas, Pedro com Julia, Kamal com Lurdes. Postem até o meio-dia!"
Enquanto nos dispersávamos, eu puxei Julia. "Vamos observar o Lucas. Algo não cheira bem." Ela assentiu. Ângela está com ele. Vou ficar por perto, caso precise salvar o dia.
Capítulo 7: A Caça ao Tesouro
O sol da Jamaica batia forte enquanto nos dividíamos em pares para o desafio da caça ao tesouro. Eu estava animada – finalmente, ação de verdade nesse reality. Meu par era Lucas, o que me deixava com um frio na barriga. Ele é tão charmoso, mas algo nele me intriga além do flerte. Nós pegamos o mapa de Maria: precisávamos encontrar uma concha rara na praia, uma receita local de um pescador e gravar uma dança tradicional jamaicana. "Vamos nessa, bela", Lucas disse, seu sorriso bronzeado iluminando o caminho enquanto caminhávamos pela areia quente.
Lurdes e Kamal foram para o lado oposto da ilha, ela tagarelando sobre como isso inspiraria suas postagens artísticas. "Isso vai ser poético!", ouvi ela dizer, rindo com Kamal, que respondia com entusiasmo sobre as vibrações culturais. Julia e Pedro, meus "amigos" do grupo – Julia com sua aura de mistério e Pedro com sua calma constante –, foram para o interior, em direção às cavernas. Julia, aos 33 anos, parecia a típica russa fútil com suas malas de grife e posts sobre luxo, but I saw beyond: she had been through a lot in life, and her distrust of certain people came from hard experiences. She’s not superficial; she’s a survivor.
Enquanto Lucas e eu procurávamos a concha, ele se abriu um pouco. "Cresci nos EUA, mas a Venezuela me moldou – forte, aventureiro." Seu corpo alto e moreno se movia com graça, como se a praia fosse seu território. Encontramos a concha rápido, e ele me ajudou a filmar: "Posta isso, Ângela. Nossos seguidores vão amar." Mas notei Lurdes olhando para nós de longe, com um brilho nos olhos. Durante o almoço rápido na área comum, ela se aproximou de Lucas, tocando seu braço. "Ei, surfista, vamos dançar essa noite? Para o post colaborativo." Lucas piscou. "Por que não agora?"
O romance entre eles explodiu ali, na frente de todos. Enquanto Kamal filmava uma dança jamaicana com movimentos fluidos, Lurdes e Lucas se juntaram, seus corpos se movendo em sintonia – ela com seus cabelos pretos voando, ele guiando com mãos firmes. Era elétrico, quase íntimo demais para as câmeras. "Vocês dois têm química!", eu brinquei, mas senti uma pontada de ciúme. Por que eu me importo? Lucas flerta comigo, mas com ela... é diferente. Eles riram, se abraçando no final, e Lurdes sussurrou algo no ouvido dele antes de desaparecerem para "explorar mais".
O resto do dia voou: encontramos a receita com um pescador local – um curry de peixe picante – e postamos tudo com a hashtag #IntercambioParadise. Mas ao entardecer, Lurdes não voltou. Kamal veio até mim, preocupado. "Ela disse que ia pegar tintas na cabana, mas sumiu. Vi pegadas indo pro mato." Meu coração acelerou. O que aconteceu? A ilha parece segura, mas... Procuramos rápido, chamando por rádio Maria, que prometeu drones de busca. Lucas apareceu do nada, ofegante, com um corte no braço sangrando e machucados no rosto. "Eu... eu a vi indo pra floresta. Tentei seguir, mas escorreguei numa rocha. Ela deve estar perdida."
Sangue escorria do seu corte, e ele parecia abalado – nada do sedutor confiante. "Meu Deus, Lucas! Senta aqui." Eu o levei para minha cabana, limpando o ferimento com o kit de primeiros socorros. "O que realmente aconteceu?" Perguntei, meu coração batendo forte enquanto aplicava bandagem. Ele me olhou nos olhos, vulnerável. "Ângela, foi um acidente. Mas fique comigo essa noite? Não quero ficar sozinho." A adrenalina do dia, misturada ao medo por Lurdes, me fez assentir. Ele precisa de mim. E talvez eu precise dele. Passamos a noite conversando baixinho, ele deitado no sofá da cabana, eu ao lado, sentindo uma conexão crescer no meio do caos. As câmeras capturavam tudo, mas naquele momento, era real.
Capítulo 8: Sombras na Noite
Vi tudo se desenrolar da minha cabana, o estômago revirando enquanto Ângela levava Lucas para dentro, limpando seus machucados como se ele fosse um herói ferido. O corte no braço dele sangrava profusamente, e os arranhões no rosto pareciam recentes demais – não de uma simples queda. O que diabos aconteceu com Lurdes? E por que Lucas está assim? O desaparecimento dela durante a caça ao tesouro tinha virado o reality de pernas pro ar: Maria mobilizou a equipe, drones zumbindo sobre a ilha, mas nada ainda. Kamal e eu tínhamos procurado nas trilhas, ele usando sua intuição afiada para rastrear pegadas, mas as marcas sumiam na floresta densa.
Julia se aproximou de mim na área comum, seu rosto pálido sob a maquiagem perfeita. Aos 33 anos, with a past full of twists in Russia – bad deals, betrayals she’d briefly mentioned – she didn’t buy easy lies. "Pedro, somos amigos aqui, certo? Preciso te contar por que tenho cisma com Lucas." Ela sussurrou, sentando ao meu lado na fogueira. "Ele me lembra um ex-parceiro na Rússia – charmoso, surfista de alma, mas envolvido em esquemas obscuros. Golpes financeiros, usando redes sociais para atrair vítimas. Vi o celular dele ontem: mensagens criptografadas sobre 'negócios na ilha'. E agora Lurdes some? Não é coincidência."
Suas palavras me gelaram. Ela tem razão. Eu suspeitava, mas isso confirma. "Vamos ficar de olho. Mas e Ângela? Ela está cuidando dele agora." Julia bufou. "Ela é carente, Pedro. Veja além – você gosta dela, né?" Eu corei, mas não neguei. Ver Ângela passar a noite com Lucas me acertou como um soco. Ela merece melhor. Eu devia ter sido mais direto.
A dor me levou ao bar improvisado da vila: rum jamaicano puro, misturado com suco de abacaxi local – um drink forte chamado "Zombie". Tomei um, depois dois, o álcool queimando minha garganta enquanto via as luzes da cabana de Ângela. Por que eu fico invisível? O terceiro drink me deixou tonto, o mundo girando. Kamal e Julia me encontraram cambaleando. "Ei, chef! Você tá mal, cara", Kamal disse, me apoiando com braços fortes. "Vem, vamos te levar pra cabana. Não é hora de se afogar em rum."
Julia ajudou, sua voz firme mas gentil. "Pedro, você é o cara sensato aqui. Não deixa isso te derrubar. Amanhã investigamos Lucas – eu tenho contatos, posso checar online." Eles me levaram para a cama, Kamal trazendo água e Julia ficando um pouco, conversando sobre suas próprias noites ruins na vida. Eles são bons amigos. Mas e Lurdes? E Ângela com ele? Adormeci com a cabeça latejando, o suspense da ilha se fechando como uma rede.
Capítulo 9: Revelações ao Amanhecer
Acordei com o sol filtrando pelas janelas da cabana, Lucas ainda dormindo no sofá, seu peito subindo e descendo calmamente. A noite tinha sido intensa: conversei sobre minha vida solitária no Leblon, Pipoca me esperando em casa, e ele compartilhara histórias de viagens que pareciam aventuras de filme. Ele é vulnerável por baixo da casca. Mas e Lurdes? O machucado dele estava melhor, mas o sangue seco no chão me lembrava do caos. Saí quieta para checar novidades.
Maria nos reuniu na área comum, drones retornando com imagens vagas. "Lurdes foi vista na floresta ontem, mas sumiu. Polícia local está vindo." Kamal parecia exausto, tendo passado a noite procurando. "Ela não é de sumir assim. Algo tá errado." Julia, com olheiras, lançou um olhar para Lucas, que se juntara a nós, mancando levemente. "Sim, algo tá errado", ela murmurou.
Pedro apareceu, olhos vermelhos de ressaca, evitando meu olhar. O que houve com ele? Julia e Kamal o flanqueavam como guardiões. "Ângela, precisamos conversar", Pedro disse baixinho, sua voz rouca. Meu coração apertou – a ação na ilha estava só começando, e eu sentia que o romance com Lucas era só a ponta do iceberg.
Capítulo 10: Falsas Certezas
O sol da Jamaica já estava alto quando Maria reapareceu na área comum, carregando uma cesta cheia de equipamentos que pareciam saídos de um programa de TV aventureiro: máscaras de mergulho, mapas laminados e até um kit de sobrevivência com facas e cordas. Seu sorriso profissional estava intacto, mas havia algo forçado nele, como se ela estivesse encenando para câmeras invisíveis. Eu ainda sentia a ressaca latejando nas têmporas, o rum da noite anterior me lembrando da minha fraqueza ao ver Ângela com Lucas. Idiota, Pedro. Você é o cara prático, o chef que resolve problemas com temperos e lógica. Foque no que importa: Lurdes sumida, Lucas suspeito.
"Boa notícia, equipe!", Maria anunciou, reunindo-nos ao redor da fogueira apagada. Kamal, Julia, Ângela, Lucas e eu nos aproximamos, o ar úmido da manhã carregado de tensão. "Lurdes foi encontrada! Ela escorregou na trilha durante a caça ao tesouro, quebrou o pé feio. Já está sendo enviada de helicóptero para o continente, direto para casa na Espanha. Nada grave, mas ela está fora do reality." Seus olhos varreram o grupo, como se medisse nossas reações. Ângela suspirou aliviada, tocando o braço de Lucas. "Graças a Deus! Coitada, deve ter doído."
Julia, minha aliada nessa bagunça, cruzou os braços, seu rosto de 33 anos marcado por ceticismo endurecido pela vida. With a past full of betrayals and bad deals, she didn’t buy easy lies. "Encontrada? Onde exatamente? E por que não nos mostraram provas, tipo uma foto ou chamada?" Maria piscou, ajustando o tablet. "Privacidade, Julia. Mas fiquem tranquilos. Para animar o dia, trouxe mais entretenimento: um mergulho guiado nas cavernas subaquáticas da ilha. É o próximo desafio! Postem sobre biodiversidade marinha, colaboração cultural. Equipamentos para todos – vamos!"
Isso cheira a distração, pensei, pegando uma máscara. Kamal assentiu, sempre prático. "Beleza, mergulho soa bom. Mas e o sinal? Meu celular tá fraco." Maria riu. "Wi-Fi volta logo. Agora, vão e divirtam-se!" Nós nos dividimos: eu com Julia novamente, Kamal sozinho explorando a costa, Ângela e Lucas juntos – o que me irritou mais do que devia. Enquanto mergulhávamos nas águas cristalinas, Julia sussurrou através da máscara: "Pedro, amigo, isso é furada. Lurdes não quebrou pé nenhum. Vi Maria falando no rádio ontem à noite – algo sobre 'contenção' e 'não alarmar os outros'. E Lucas... ele tem mais machucados hoje, olha o pescoço dele."
Saímos da água horas depois, exaustos mas com fotos incríveis de corais e peixes tropicais. Postamos o que pudemos com o sinal intermitente, mas ao final do dia, enquanto o sol se punha, tudo mudou. O Wi-Fi sumiu de vez – celulares mortos, sem barras, sem dados. "Que merda é essa?", resmunguei, sacudindo meu telefone. Voltamos das cavernas para a vila... e estava vazia. As cabanas intactas, mas as pessoas da TravelVibes? Sumidas. Maria, os operadores de câmera, os assistentes – poof. As câmeras fixas nas árvores? Desaparecidas, fios cortados. Só restávamos nós quatro: eu, Julia, Kamal e Ângela. Espera, quatro? Lucas... onde estava Lucas?
Não, ele apareceu mancando da trilha, mas o grupo encolhera para nós cinco – não, Lurdes fora, e agora o staff sumido. Quatro mais Lucas? Não, somos cinco ainda. O medo se instalou como uma névoa fria. "Galera, isso não é normal", Kamal disse, sua voz firme mas olhos alertas. Julia tremia levemente. "Eu avisei. Estamos isolados."
Acendemos a fogueira com mãos trêmulas, o crepitar da madeira o único som além das ondas distantes. Sentamos em círculo, o pânico crescendo. "O que fazemos agora?", Ângela perguntou, sua voz trêmula, puxando as pernas para o peito. Seus cabelos cor de mel brilhavam à luz das chamas, e eu quis protegê-la. Ela está assustada. Todos estamos.
Capítulo 11: União no Medo
A fogueira cuspia faíscas para o céu escuro da Jamaica, mas o calor não chegava ao meu peito gelado. Eu me sentia exposta, vulnerável – longe do meu apê seguro no Leblon, onde Pipoca me esperava com seu humor azedo. Aos 27 anos, eu tinha conquistado o mundo digital, mas aqui, sem internet, sem staff, sem Lurdes... era como se o reality tivesse virado um pesadelo real. Maria nos distraíra o dia todo com o mergulho – águas turquesas, corais vibrantes que eu filmara obsessivamente antes do sinal cair. "Postem sobre a beleza subaquática!", ela dissera, mas agora? Tudo sumido. As câmeras, os assistentes, Maria – evaporados quando voltamos. Só nós: Pedro, Julia, Kamal, Lucas e eu. Cinco almas perdidas numa ilha que parecia paraíso, mas agora grita perigo.
Sentei mais perto de Lucas, que ainda mancava dos machucados misteriosos, seu braço enfaixado por mim na noite anterior. "Você tá bem?", sussurrei, tocando sua mão. Ele assentiu, mas seus olhos castanhos desviavam. "Só preocupado com Lurdes. Maria disse que ela quebrou o pé, mas... e se for mentira?" Julia, do outro lado da fogueira, bufou. Aos 33, with scars from betrayals that hardened her, não era de engolir lorotas. "É mentira, Ângela. Eu ouvi Maria no rádio: 'Ela não pode ser encontrada ainda'. Eles nos isolaram de propósito. Sem sinal, sem ajuda."
Kamal added lenha à fogueira, seu corpo atlético tenso. "Precisamos de um plano. A ilha não é grande – amanhã exploramos o píer, vemos se tem barco. Sobrevivência primeiro: comida, água, abrigo." Pedro, meu "invisível" observador, assentiu, seus olhos loiros fixos em mim. Ele parece mais forte agora, protetor. Por que eu não o notei antes? "Kamal tem razão. Sem internet, estamos off-grid. Mas juntos, damos conta. Ângela, você conhece trilhas de praia – ideias?"
O medo nos uniu ali, conversas fluindo como um rio agitado. Lucas sugeriu vigília: "Turnos para vigiar a noite. Pode ter animais... ou pior." Julia riu amargamente. "Pior como você, Lucas? Seus machucados não são de queda." A tensão explodiu – acusações voando, mas no fim, nos acalmamos. Somos tudo o que temos. Dormimos em turnos ao redor da fogueira, eu encostada em Lucas, mas meus pensamentos em Pedro, que vigiava em silêncio.
Capítulo 12: Descobertas Sombrias
A aurora pintou a ilha de rosa, mas o medo da noite anterior persistia como uma ressaca pior que rum. Acordei com o som das ondas, o grupo ainda reunido na fogueira fria. Sem sinal, sem staff – a vila parecia um set abandonado de filme de terror. Maria mentiu sobre Lurdes. Julia tem razão: isso é armadilha. Kamal já estava de pé, organizando suprimentos: frutas da cozinha, água engarrafada. "Vamos pro píer. Se tiver barco, saímos daqui."
Caminhamos pela trilha, o ar úmido e opressivo. Julia e eu ficamos para trás. "Pedro, confie em mim: Lucas está envolvido. Seus 'negócios obscuros' – talvez usando o reality para algo ilegal, como tráfico via influencers." Seus olhos, marcados por years of distrust, estavam sérios. Assenti. "Vamos confrontá-lo."
No píer, o barco da TravelVibes? Sumido. Em vez disso, encontramos pegadas frescas e um rádio quebrado. Ângela gritou: "Olhem!" Uma mancha de sangue na madeira – fresca. Lucas empalideceu. "Isso... pode ser de Lurdes." Mas Kamal agachou: "Não. Isso é recente. Alguém tá nos caçando."
O pânico nos uniu mais, voltando correndo para a vila. No caminho, Lucas tropeçou, revelando um hematoma novo. "O que tá acontecendo de verdade?", exigi. Ele hesitou: "Eu... sei mais do que disse." A ação estava só começando – e o romance, o verdadeiro, talvez florescesse no caos, entre mim e Ângela.
Capítulo 13: Confissões na Fogueira
Os dias se arrastaram na ilha como uma eternidade úmida e opressiva, o sol da Jamaica nos cozinhando durante o dia e o silêncio da noite nos congelando de medo. Sem sinal, sem resgate, nos alternávamos em turnos para vigiar, coletar frutas e água da chuva, e explorar trilhas que levavam a lugar nenhum. As cabanas viraram nosso refúgio relutante – cada um voltando para a sua ao anoitecer, portas trancadas com improvisos de cordas e paus. Eu me sentia cada vez mais isolada, minha mente voltando para o Leblon, para Pipoca bicando o sofá em silêncio. O que aconteceu com Lurdes? Maria mentiu, mas por quê?
Na terceira noite, reunidos na fogueira – nosso ritual de sobrevivência –, Lucas finalmente quebrou o silêncio. Seu rosto, ainda marcado por machucados que pareciam piorar em vez de curar, estava sombrio à luz das chamas. "Eu sei por que Maria e o staff sumiram", ele disse, voz baixa e rouca, olhando para cada um de nós: Pedro, Julia, Kamal e eu. Julia ergueu uma sobrancelha, cética como sempre. "Então fala, surfista. Estamos esperando."
Lucas hesitou, passando a mão pelo cabelo moreno. "A TravelVibes não é o que parece. É uma fachada para um esquema maior – testes de sobrevivência extrema, financiados por ricos que assistem remotamente. Maria e os outros foram embora porque o 'jogo' começou de verdade: nos deixar aqui, isolados, para ver quem quebra primeiro. Lurdes... ela não quebrou o pé. Foi removida porque descobriu algo e tentou fugir." Meu coração disparou. Isso explica o sangue no píer, as câmeras sumidas. Pedro se inclinou para frente, olhos azuis intensos. "Provas? Ou você tá inventando pra se safar?" Lucas balançou a cabeça. "Eu ouvi Maria no rádio antes de tudo sumir. Eles cortaram o sinal de propósito."
A revelação nos deixou em choque, mas sem opções. Kamal sugeriu um plano: "Amanhã, construímos uma jangada no píer." Julia assentiu: "E vigiamos uns aos outros." Voltamos para as cabanas, o medo nos seguindo como sombras. Na minha, Lucas me seguiu, parando na porta. "Ângela, espera." Seus olhos castanhos me prenderam, e antes que eu pudesse reagir, ele me beijou – um beijo urgente, cheio de desespero. Meu corpo respondeu por instinto, mas minha mente gritava confusão. Ele é perigoso... ou o único que entende?
Ele se afastou, sussurrando: "Ninguém aqui é confiável. Pedro e Julia sussurram o tempo todo – talvez eles saibam mais. Kamal é forte demais, esconde algo. Vem comigo pra floresta agora. Vamos fugir sozinhos, achar um caminho pro continente." Convencida pelo pânico e pelo beijo, peguei uma mochila improvisada e o segui para a escuridão da floresta, o coração batendo forte. Isso é loucura, mas ficar é pior.
Capítulo 14: O Verdadeiro Rosto
Os dias na ilha viraram uma rotina de paranoia: coletar comida, vigiar o horizonte por resgate que não vinha, e questionar tudo. As cabanas nos davam uma ilusão de segurança, mas o ar estava carregado de desconfiança. Eu via Ângela se aproximando de Lucas, e isso me corroía – Ela não vê o perigo nele? Julia e eu trocávamos olhares, planejando em sussurros: "Ele mentiu sobre Maria. Vamos confrontá-lo amanhã." Kamal concordava, sempre prático: "Unidos, sobrevivimos."
Naquela noite, após a confissão de Lucas na fogueira – que Maria e o staff tinham fugido como parte de um "jogo sádico" –, vi Ângela e Lucas sumirem para a cabana dela. Meu estômago revirou. Horas depois, ouvi passos na trilha para a floresta. Eles estão fugindo? Acordei Julia e Kamal, o pânico nos unindo. "Ângela sumiu com Lucas!", eu disse, lanternas improvisadas iluminando o caminho. Seguimos as pegadas, mas a floresta engolia tudo.
Enquanto isso, imaginei o pior: Lucas convencendo Ângela com mentiras, beijando-a para manipulá-la. Ele quer isolá-la. Nós voltamos para a vila, em pânico total – sem ela, o grupo se desfazia. "Precisamos achá-los!", Kamal gritou. Julia tremia: "Lucas é o problema. Ele quer nos pegar um por um."
De repente, Lucas voltou sozinho, emergindo da floresta com mais machucados, sangue no rosto. "Ângela... ela surtou, me atacou e fugiu!" Ele ofegava, mas seus olhos brilhavam com algo sombrio. Mentira. Ele a levou pra lá de propósito. O terror escalou – Lucas nos olhava como presas, e eu soube: ele queria um por um, começando por nós.
Capítulo 15: Terror na Floresta
A floresta da Jamaica era um labirinto vivo de sombras e sons – folhas farfalhando como sussurros maliciosos, o ar úmido grudando na pele. Eu seguia Lucas, o beijo ainda queimando nos lábios, sua mão apertando a minha enquanto corríamos pelas trilhas escuras. "Eles não são de confiança, Ângela. Pedro e Julia sussurram o tempo todo – talvez eles saibam mais. Kamal é violento. Só nós dois – vamos achar um barco escondido." Suas palavras ecoavam na minha cabeça, misturadas ao medo. E se ele tiver razão? Mas por que fugir agora?
Paramos numa clareira, a lua filtrando através das árvores. Lucas se virou, seu rosto mudando – o sedutor sumindo, revelando algo frio, calculado. "Você quer saber meu verdadeiro papel nessa viagem?", ele disse, voz baixa e ameaçadora. "Não sou só um influencer. Sou um infiltrado – contratado por gente poderosa para testar limites. A TravelVibes é uma cobertura para experimentos: isolar pessoas ricas como você, ver quem quebra, e... eliminar os fracos. Lurdes descobriu, então a tirei do caminho. Maria e o staff? Eu os mandei embora, cortei o sinal. Agora, você é a próxima – sua fortuna vai pra mim se eu 'sobreviver' sozinho."
O terror me invadiu como uma onda gelada. Ele é o monstro! Tentei recuar, mas ele agarrou meu braço, forte como ferro. "Você vem comigo ou morre aqui." Pânico puro: peguei um tronco caído no chão e bati com toda força na cabeça dele. Ele grunhiu, caindo, sangue escorrendo. Corri, desorientada, a floresta me engolindo – galhos arranhando, raízes tropeçando. Perdida. Sozinha. Ele vai me achar. Gritei por ajuda, mas só o eco respondia. O grupo – Pedro, Julia, Kamal – entraria em pânico agora, e Lucas voltaria por eles, um por um. Meu pesadelo só começava.
Capítulo 16: O Psicopata Revelado
A floresta da Jamaica era um pesadelo vivo, cada galho parecendo uma garra, cada sombra um eco de Lucas. Minha respiração ofegante rasgava o silêncio enquanto eu corria, os arranhões ardendo na pele. Ele é um psicopata. Não um influencer, não um surfista – um monstro capaz de qualquer coisa. Suas palavras ecoavam na minha cabeça: experimentos, eliminação, minha fortuna como prêmio. Lurdes não quebrara o pé – ele a atacara, talvez até pior. Meu coração batia tão alto que mal ouvi o som das ondas distantes. Preciso voltar pra vila. Pedro, Julia, Kamal – eles são minha chance.
Eu me forcei a parar, agachada atrás de uma árvore, controlando o terror. Pensa, Ângela. Você não é uma garota do interior que se rende fácil. No Leblon, eu enfrentava haters e crises de imagem com um sorriso; aqui, era vida ou morte. O mapa do desafio da caça ao tesouro veio à mente – a vila ficava a leste, perto da praia. Usei as estrelas e o som do mar como guia, movendo-me lentamente, evitando galhos que denunciassem meus passos. Se Lucas me encontrar, estou morta.
Enquanto rastejava por uma trilha, ouvi vozes distantes – gritos. O grupo! Corri mais rápido, o pânico dando lugar à esperança, até que a vila surgiu entre as árvores, as cabanas escuras contra o céu da meia-noite. Mas algo estava errado – a fogueira estava apagada, e a área comum, deserta. Onde estão eles?
Capítulo 17: Caos na Vila
O grito de Lucas cortou a noite como uma lâmina. "Eu vi Maria! Lá na fogueira!", ele berrou, apontando para a trilha principal. Kamal, sempre impulsivo, correu para lá, seus passos ecoando na escuridão. "Se ela tá de volta, podemos sair daqui!" Julia e eu trocamos olhares – sabíamos que era uma armadilha. Antes que pudéssemos detê-lo, Lucas se virou para nós, um facão brilhando em sua mão, tirado de algum kit de sobrevivência da TravelVibes. Seus olhos, antes sedutores, agora eram de um predador. "Vocês dois são os próximos. Não confio em ninguém, e ninguém sai vivo."
"Corre!", Julia gritou, puxando meu braço. Disparamos para a floresta, o facão de Lucas cortando o ar atrás de nós. Minha mente girava – Ângela está lá fora, sozinha com esse psicopata em algum lugar. Corremos entre as árvores, o terreno irregular nos atrasando. "Separa!", Julia sussurrou, ofegante. "Ele não pega nós dois!" Relutante, mergulhei para a direita, enquanto ela foi para a esquerda, o som dos passos de Lucas se aproximando. Por favor, Julia, fique viva.
Sozinho, tropecei em raízes, o coração acelerado. Então, um vulto familiar surgiu à frente – Ângela, suja, arranhada, mas viva. "Pedro!", ela sussurrou, correndo para mim. Eu a abracei, o alívio me inundando como uma onda. "Você tá bem? Lucas... ele é um monstro!" Ela tremia, mas seus olhos tinham fogo. "Eu sei. Ele confessou tudo – experimentos, assassinatos. Quer minha fortuna, quer nos matar um por um."
Segurei o rosto dela, o calor da sua pele sob meus dedos me ancorando. "Ângela, eu tava morrendo de medo de te perder. Eu... eu te amo. Desde o primeiro dia, vendo você rir, tão forte mas tão sozinha." As palavras escaparam, cruas, e ela arregalou os olhos, cor de mel brilhando na penumbra. "Pedro..." Ela hesitou, então sorriu. "Vamos sobreviver pra falar disso depois, tá?"
Bolamos um plano rápido: voltar à vila, encontrar Kamal, usar os rádios quebrados para tentar um sinal. "Se conseguirmos um barco, escapamos. Mas Lucas precisa ser parado." Peguei um galho robusto como arma, e Ângela achou uma pedra afiada. Juntos, somos mais fortes.
Capítulo 18: O Confronto Final
A floresta me engoliu, o som dos meus próprios passos abafado pelo pânico. Lucas estava atrás de mim, o facão refletindo a luz da lua. Aos 33 anos, eu já tinha enfrentado traições e negócios sujos na Rússia – sobrevivi a tudo, mas isso era diferente. Ele não é humano. É um psicopata. Corri até uma clareira, mas era um beco sem saída – um precipício à frente, o mar rugindo lá embaixo, rochas escuras brilhando com a espuma. Fim da linha.
Lucas surgiu, o rosto manchado de sangue seco, o facão apontado para mim. "Julia, sempre tão esperta. Mas sua desconfiança não te salva agora." Ele avançou, e eu me preparei para lutar, mesmo sabendo que não tinha chance. Então, um vulto tropeçou da mata – Lurdes, viva, mas destruída. Cabelos pretos emaranhados, roupas rasgadas, um corte profundo na perna. "Você!", ela gritou, voz rouca. "Você me deixou pra morrer!"
Com uma força que eu não imaginava, Lurdes se lançou contra Lucas, empurrando-o com os ombros. Ele cambaleou, o facão caindo, e antes que pudesse reagir, ela o empurrou com tudo contra o precipício. Lucas gritou, despencando para as rochas abaixo, o som do impacto abafado pelo mar. Lurdes caiu de joelhos, chorando. Corri para ela, abraçando-a com força. "Você tá viva! Como?" Ela soluçava: "Ele me atacou, me deixou na floresta. Mas eu conheço trilhas... consegui voltar."
Apoiei Lurdes, mancando juntas de volta à vila. Meu coração ainda disparava, mas a adrenalina dava lugar ao alívio. Sobrevivemos. Mas e os outros?
Capítulo 19: Reunião na Cabana
Cheguei à vila com Pedro, nossos corações ainda acelerados, o plano em mente: encontrar Kamal, tentar os rádios. Mas a vila estava silenciosa, exceto por Kamal, que emergiu da sua cabana, confuso. "Galera, que porra tá acontecendo? Voltei da fogueira, tava vazia, e agora vocês aparecem?" Ele segurava um canivete, pronto para qualquer coisa.
Antes que eu pudesse explicar, Julia e Lurdes apareceram, mancando juntas, cobertas de terra e sangue. "Lurdes!", gritei, correndo para abraçá-la. "Você tá viva!" Ela contou, entre lágrimas, como Lucas a atacara, tentando matá-la por descobrir seu plano. "Mas ele caiu. Acabou", Julia disse, voz firme apesar do tremor.
Nos reunimos na cabana de Kamal, a maior da vila, trancando a porta. Pedro acendeu uma lamparina, iluminando nossos rostos exaustos. "Lucas era um psicopata. A TravelVibes era uma armadilha. Mas agora somos nós cinco – juntos, sobrevivemos", ele disse, sua mão encontrando a minha. Kamal assentiu: "Amanhã, construímos a jangada. Achamos um jeito de sair." Lurdes, ainda fraca, murmurou: "Quero ir pra casa." Julia, sempre prática, disse: "Vamos tentar os rádios. Alguém vai nos ouvir."
Sentei ao lado de Pedro, o calor da sua confissão ainda viva em mim. Ele me ama. E eu... talvez sinta o mesmo. Enquanto planejávamos, olhei para meus amigos – sobreviventes, como eu. A ilha tentara nos quebrar, mas ali, na cabana de Kamal, éramos mais fortes que o medo.
Capítulo 20: Resgate e Revelações
A lamparina na cabana de Kamal tremeluzia, lançando sombras dançantes nas paredes de madeira enquanto nós cinco – eu, Pedro, Julia, Kamal e Lurdes – nos amontoávamos, exaustos, mas unidos. A ilha da Jamaica, que prometera ser um paraíso, havia se transformado em uma armadilha mortal, e Lucas, o psicopata que quase nos destruiu, parecia finalmente fora de jogo. Ou não? Meu coração ainda batia rápido, segurando a mão de Pedro, cuja confissão de amor ecoava em mim como uma âncora. Ele me ama. E eu... sinto algo forte, real. Lurdes, machucada mas viva, encostava-se em Kamal, enquanto Julia, sempre alerta, tentava consertar um rádio quebrado. “Se isso funcionar, alguém vai nos ouvir”, ela murmurou, seus olhos de 33 anos brilhando com determinação.
De repente, um som cortou o silêncio da noite – o ronco grave de um helicóptero. Corremos para fora, o vento das hélices agitando a areia da praia. Luzes brilhantes varriam a vila, e vozes amplificadas gritavam: “FBI! Identifiquem-se!” Meu coração disparou de alívio, mas também de confusão. FBI? Como nos encontraram? Kamal acenou freneticamente, enquanto Pedro me puxava para perto. “Estamos salvos, Ângela”, ele sussurrou, e eu senti lágrimas quentes escorrerem.
Mas o choque veio quando o helicóptero pousou: Lucas, vivo, ensanguentado, com as mãos algemadas, era escoltado por agentes armados. Seu rosto, antes sedutor, agora era uma máscara de ódio. “Ele foi encontrado nas rochas, agarrado a um tronco”, um agente explicou. “Tentou fugir a nado, mas o mar o devolveu.” Lurdes engasgou, tremendo, e Kamal a abraçou. “Ele não vai mais machucar ninguém”, ele prometeu.
Enquanto éramos levados para o helicóptero, os agentes nos contaram o que acontecera fora da ilha. Nossos desaparecimentos causaram uma comoção global: nossos seguidores, milhões deles, notaram a ausência de posts e a hashtag #IntercambioParadise virou um movimento. “Onde estão os influencers?” viralizou no X, com petições e teorias de conspiração. A pressão pública forçou as autoridades a investigar, rastreando o sinal do nosso último post até a ilha. A TravelVibes, porém, evaporou – Maria e o staff sumiram sem deixar rastros, suas contas bancárias esvaziadas, servidores apagados. “Isso é caso do FBI agora”, disse o agente. “Vocês são testemunhas-chave.”
Fomos levados para os Estados Unidos, onde passamos semanas em depoimentos, exames médicos e holofotes. O caso virou notícia mundial: “Influencers Sobrevivem a Jogo Mortal na Jamaica”. Nossa fama explodiu, mas não do jeito que sonhávamos. A cada entrevista, eu via Pedro ao meu lado, sua calma me ancorando. Julia, com seu ceticismo afiado, ajudava a conectar pistas. Kamal e Lurdes, agora inseparáveis, contavam suas histórias com força. Nossa amizade venceu o terror.
Capítulo 21: Um Novo Começo
Um ano depois, o ar do Leblon cheirava a sal e liberdade. Eu, Pedro Hayes, aos 30 anos, havia deixado o Texas para trás e me mudado para o Brasil, onde agora era chef do restaurante mais badalado do Leblon, o “Maré”. Minha paixão pela culinária brasileira – feijoada, moqueca com dendê, brigadeiros reinventados – conquistara cariocas e turistas. Mas o verdadeiro motivo da minha mudança estava ao meu lado: Ângela. Ela desistira da vida de influencer, cansada dos holofotes que quase nos custaram a vida. Agora, aos 28 anos, vivia confortavelmente com seus milhões, mas escolheu uma vida simples, presente. Seu apartamento no Leblon, de frente para o mar, era agora lar de duas calopsitas – Pipoca, ainda rabugenta, e Sol, uma nova companheira cheia de energia. “Elas me mantêm sã”, Ângela ria, enquanto eu cozinhava um jantar para nós.
Naquela noite, com o som das ondas ao fundo, eu sabia que era a hora. Segurei a mão dela, meu coração acelerado. “Ângela, você mudou tudo. Na ilha, eu vi quem você é – forte, corajosa, real. Quero passar o resto da minha vida com você. Casa comigo?” O anel, simples mas brilhante, reluzia na minha mão. Ela sorriu, lágrimas nos olhos. “Sim, Pedro. Sim!” Nos beijamos, e pela primeira vez, senti que o futuro era tão bonito quanto o presente.
Julia também mudara. Abandonou a vida de influencer e abriu um salão de beleza na Polônia com seu marido, um espaço elegante onde ela misturava sua paixão por cosméticos com uma nova missão: recomeçar. Grávida de cinco meses, ela postava fotos raras, agora focada na família. “A ilha me ensinou o que importa”, ela me escreveu uma vez.
Kamal e Lurdes, agora casados, viviam na Espanha. Eles abriram um centro cultural em Madri, misturando artes marciais e pintura para ajudar crianças vítimas de abusos. “É nossa cura”, Lurdes disse em um e-mail, sua força inspiradora. Kamal, sempre protetor, prometeu cuidar dela para sempre.
A ilha nos quebrou, mas nos reconstruiu. O caso da TravelVibes continuou um mistério – o FBI nunca encontrou Maria ou o staff, e Lucas enfrentava julgamento por tentativa de homicídio. Mas nós cinco? Viramos família. A amizade, o amor, a sobrevivência – isso venceu. E enquanto eu segurava Ângela, as calopsitas cantando ao fundo, sabia que o verdadeiro paraíso era aqui, agora, juntos.
Já Leu Esse Sucesso? "Traí por Amor" Está Conquistando o Blog!
Depois do sucesso arrebatador de Hashtag do Medo: Influencers, Carol Julie traz mais um romance que você não vai conseguir largar! Traí por Amor é uma história envolvente que explora os limites do amor: o que você seria capaz de fazer para salvar quem ama?
Milhares de leitores já se apaixonaram por essa trama cheia de emoção e segredos. Confira agora no blog [https://caroljulie.blogspot.com/2025/05/trai-por-amor.html] e mergulhe nesse romance que está bombando! Deixe seu comentário e diga: até onde você iria por amor? ❤️

Comentários
Postar um comentário