![]() |
Introdução
Oi, eu sou a Evelyn, 29 anos, e se você já pegou o metrô no Rio de Janeiro durante o horário de pico, sabe exatamente do que eu tô falando. Aquela muvuca na Linha 2, com gente se espremendo nos vagões, o cheiro de café misturado com suor, e o balanço do trem que te faz pensar na vida enquanto passa por estações como Maria da Graça ou Vicente de Carvalho. Eu moro pertinho do Shopping Nova América, em Del Castilho, na Zona Norte, e todo dia pego essa linha pra ir trabalhar no centro da cidade. É uma rotina que cansa, mas que também guarda surpresas – tipo aqueles olhares que se cruzam e te deixam imaginando "e se?". Minha vida mudou faz sete anos, quando perdi meu padrasto e tive que largar a faculdade de engenharia pra cuidar da família. Sou a mais velha de sete irmãos, e minha mãe, que ainda é nova e às vezes age como se tivesse 20, depende de mim pra tudo. Eu virei a adulta da casa, pagando contas, organizando rotinas, mas no fundo, ainda sonho com alguém que me tire dessa correria, um cara que veja a garota por trás da exaustão. E é aí que entra o Gael, um homem misterioso que trabalha no shopping e que começou a aparecer no meu caminho de um jeito que me faz questionar se o destino existe mesmo. Essa é a minha história de encontros e desencontros na Linha 2 do metrô RJ, um romance que nasce no caos do cotidiano carioca. Vem comigo, que eu te conto tudo, mas devagarinho, pra você ficar curioso pelo que vem depois.
Capítulo 1: O Primeiro Esbarrão
Bom dia, vida! Quer dizer, bom dia nada, é segunda-feira, e morar pertinho da Avenida Pastor Martin Luther King Jr. é tipo ter um despertador que nunca falha. O trânsito lá fora não deixa ninguém dormir, mas também não deixa ninguém se atrasar. Pulei da cama com preguiça, lavei o rosto rapidinho e senti o cheiro de café vindo da cozinha do nosso apê pequeno em Del Castilho. Minha mãe tava lá, tentando fazer um café pros meus sete irmãos, enquanto eu corria pra pegar minha roupa no varal e engolir uma torrada. Ser a mais velha é isso: virar a adulta da casa aos 29, desde que meu padrasto morreu e eu larguei a engenharia pra sustentar todo mundo. Minha mãe, coitada, é nova, mas meio avoada, então sobra pra mim manter tudo nos trilhos. Se eu me atrasar pro metrô hoje, meu chefe, o Felipe, vai surtar – e perder esse emprego na firma de contabilidade no centro do Rio não tá nos planos.
Saí correndo com a Joyce e a Lara, minhas irmãs mais novas, pra deixá-las no colégio estadual que fica no caminho pra estação Nova América/Del Castilho. Isso sempre me aperta o tempo, mas faz parte do pacote de ser irmã-mãe. Cheguei na plataforma do metrô esbaforida, com o calor carioca de setembro já grudando na pele. O trem tava lotado, como sempre, com ambulantes gritando “água gelada, um real!” e cariocas se espremendo pra entrar. Consegui um cantinho, encostada na parede, e fui pro centro, pensando na correria que é a vida na Zona Norte do Rio de Janeiro. Meu sonho de um dia voltar pra faculdade ou encontrar um cara que me tire dessa loucura parecia tão distante ali, no balanço do vagão.
No escritório, na Carioca, cheguei 20 minutos mais cedo – milagre! O Felipe tava de boa, mas o dia foi uma maratona de planilhas e ligações, com o barulho dos bondes lá fora me lembrando que o Rio nunca para. Encontrei a Luiza, minha colega, no saguão do prédio, toda atrapalhada tentando ajeitar o cabelo na fila do elevador. Ela é baixinha, desengonçada de um jeito fofo, e vive falando alto dos dois shih tzus dela – sério, o celular dela é um álbum canino! Subimos juntas, rindo, e ela me mostrou mais fotos dos dogs enquanto eu tentava focar no trabalho. Mas, confesso, minha cabeça tava na volta pra casa, no metrô Linha 2, onde o cansaço e a ansiedade sempre brigam dentro de mim.
O Felipe me liberou meia hora mais cedo, o que foi uma bênção, mas o metrô no fim da tarde é um caos, então resolvi dar uma volta no Shopping da Carioca pra esperar o fluxo diminuir. Andei por lá, olhando vitrines e pensando em como seria bom ter dinheiro pra comprar algo além do básico. O Rio de Janeiro tem essa vibe: shoppings lotados, feiras em Inhaúma, e a gente sonhando no meio da correria. Finalmente, peguei o metrô pra casa, encostada na parede do vagão, imaginando como seria deitar sem pensar nas contas. Meu coração puro ainda acredita que a vida pode surpreender, mesmo com tanto peso nas costas.
Cheguei na estação Nova América/Del Castilho, meu canto, meu lar. É engraçado como aquele lugar, com o Shopping Nova América brilhando ali do lado, me faz relaxar, mesmo com tanta gente correndo pra todo lado.
Foi aí que aconteceu: um caria passou por mim com pressa, quase correndo, e a mochila dele esbarrou no meu ombro. Ele era alto, cabelo castanho, rosto quadrado, com uma blusa polo e uma calça jeans que, confesso, marcava direitinho a coxa. Olhei pra trás – sim, dei uma espiada no bumbum, me julgue! – e ele parou na porta do trem, indo pro outro lado. Nossos olhos se cruzaram, e, meu Deus, que olhar! Ele sorriu de leve, e eu fiquei parada, feito boba, enquanto o trem partia.
Subi as escadas pro apê com o coração batendo forte, meio triste, meio boba. Quem era aquele cara? Será que trabalha no Shopping ? Parecia alguém importante, mas com um jeitão simples que me pegou desprevenida. Em casa, ajudei os irmãos com o jantar e ouvi minha mãe falando de um bico de manicure. Deitei pensando nele, no esbarrão, no sorriso. O metrô Rio de Janeiro é assim, né? Te joga um momento mágico e depois te deixa só com a saudade.
No dia seguinte, a rotina voltou: café, irmãos, correria pra estação. Cheguei na plataforma do metrô torcendo pra vê-lo de novo, mas nada. O trem lotado, o calor, os ambulantes – tudo igual, menos o meu coração, que tava acelerado de expectativa. Será que foi só um momento? Pensei no quanto o cotidiano carioca, com suas estações e shoppings, guarda surpresas. No trabalho, a Luiza notou meu jeito avoado e perguntou “que cara é esse, Evelyn?”. Desconversei, mas ri sozinha.
Na volta, lá na estação Nova América/Del Castilho, o milagre: ele tava lá, esperando o trem na direção oposta. Eu tava saindo, ele entrando, e nossos ombros se tocaram de novo. “Desculpa”, ele disse, com uma voz calma que me fez tremer. Sorri, sem graça, e ele entrou no vagão, mas não antes de me lançar outro olhar. Fiquei na plataforma, coração disparado, pensando: “Será que te vejo amanhã?”. E você, tá sentindo esse suspense? Porque eu tô morrendo pra saber quem é ele e o que a Linha 2 tá tramando pra mim.
Capítulo 2: O Peso do Dia e Um Sonho Leve
Acordei com um frio na barriga, cheia de esperança. E se o destino colocasse aquele cara do metrô na minha frente hoje? Decidi caprichar: troquei a bolsa velha por uma mais bonitinha, joguei uma maquiagem básica dentro – batom, rímel, quem sabe? Queria voltar do trabalho com uma cara melhor, uma roupa mais arrumadinha, algo que me fizesse sentir viva. Mas aí, um grito da cozinha acabou com meu momento Cinderela. Minha mãe, Ana Clara, tinha se queimado com café quente. Corri pra ver, e o braço dela tava vermelho, feio, inchado. Meu coração disparou, e a animação de uma quarta-feira promissora virou preocupação. Morar na Zona Norte do Rio de Janeiro, pertinho da Avenida Pastor Martin Luther King Jr., é assim: a vida te joga uma curva quando você menos espera.
Respirei fundo, tentando segurar a ansiedade que já tava apertando o peito. Peguei o celular e fiz uma chamada de vídeo pro meu chefe, o Felipe. “Olha, aconteceu um acidente aqui, minha mãe se queimou, ó o braço dela”, mostrei, quase tremendo. Ele fez cara de quem não queria se envolver, mas disse: “Tudo bem, Evelyn, leva ela na UPA, mas esse dia vai ser descontado, tá? Amanhã te quero às 8h em ponto”. Engoli em seco, disse “sim, senhor”, e desliguei. Meu salário de 3500 reais mal paga as contas, e agora um dia a menos? Senti o peso do mundo. Corri pra deixar todas as crianças no colégio , e voltei voando pra levar minha mãe na UPA.
Na UPA, o caos: filas, gente reclamando, minha mãe gemendo de dor. Ana Clara é nova, só 45 anos, mas a vida não foi gentil com ela. Ficou grávida de mim ainda adolescente, com meu pai, um traficantezinho que morreu num confronto quando eu era bebê. Depois veio o Paulo, meu padrasto, um caminhoneiro que me criou como filha até um acidente na estrada levar ele embora, há sete anos. Minha mãe nunca se recuperou, e nosso caçula, o menor dos irmãos, é de uma aventura dela, uma loucura que ela não explica. Eu amo ela, mas às vezes sinto que carrego o mundo sozinha. Um enfermeiro, tipo um anjo, viu nosso desespero e tratou do braço dela rapidinho, mas foram horas até sairmos de lá.
Voltei pra casa exausta, busquei as crianças no colégio, e sentei com minha mãe pra planejar o dia seguinte. “Mãe, amanhã você leva os meninos pro colégio, eu preciso sair cedo pro trabalho”, falei, tentando não soar tão cansada. Ela concordou, mas vi nos olhos dela que tá perdida, ainda presa na dor de perder o Paulo. Minhass irmãs mais velhos, Joyce e Lara, têm 10 e 11 anos e tentam ajudar, vendendo bijuterias de miçanga pras amigas na escola, mas isso não paga nem a luz. Eu queria tanto trazer minha mãe de volta pra realidade, mas não sei como. Às vezes, me sinto egoísta por sonhar com algo além disso tudo, como aquele cara do metrô que esbarrou em mim com a mochila.
Enquanto arrumava a janta pros irmãos, minha cabeça voava pra ele: cabelo castanho, rosto quadrado, aquele jeans que marcava as coxas. Sério, Evelyn, você tá mesmo pensando num estranho?, me repreendi. Mas era isso que me mantinha respirando. Deitei planejando o dia seguinte: sair cedo, chegar no trabalho às 8h, e quem sabe cruzar com ele na estação Nova América/Del Castilho. O Shopping Nova América, com suas luzes e lojas, parecia o cenário perfeito pra um encontro por acaso, mas será que ia rolar? Meu coração puro ainda acreditava que a vida podia me surpreender, mesmo com o peso das contas.
Na manhã seguinte, acordei correndo, com o barulho do trânsito da Zona Norte me lembrando que não dá pra ficar na cama. Arrumei as crianças, deixei tudo pronto pra minha mãe, e voei pra estação. Cheguei na plataforma com o coração na mão, olhando pros lados, torcendo pra ver ele. E lá estava: o cara da mochila, saindo do trem enquanto eu entrava, com a mesma blusa polo e um sorriso que parecia dizer “te conheço de algum lugar”. Nossos olhos se cruzaram, e eu quase tropecei na porta do trem. Desencontro de novo, mas fiquei feliz em começar o dia vendo ele.
No trabalho, na Carioca, o dia foi puxado. A Luiza, minha colega desengonçada, notou meu jeito avoado e riu: “Tá apaixonada, Evelyn? Conta logo!”. Desconversei, mas não parava de pensar nele. O metrô tem esse jeito de jogar faíscas na sua vida e depois te deixar só com a saudade. Na volta, cheguei na estação Nova América/Del Castilho já no fim da tarde, exausta, mas com esperança. Mas é claro que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
Cheguei em casa, ajudei os irmãos com a lição, e minha mãe, com o braço enfaixado, tentou fazer o jantar. Deitei pensando no peso do dia: as contas, a UPA, o salário apertado. Mas aquele esbarrão na estação, aquele sorriso, era como um sopro de vida. O cotidiano carioca, com seus shoppings e metrôs lotados, tava me dando um motivo pra sonhar. E você, tá sentindo essa faísca comigo? Porque eu não sei quem ele é, mas a Linha 2 tá tramando algo, e eu quero descobrir o que é.
Capítulo 3: O Herói da Passarela
Sexta-feira, e eu acordei com o coração apertado. Sério, nunca pensei que uma sexta me deixaria tão pra baixo, mas a ideia de passar dois dias sem chance de esbarrar com ele na estação Nova América/Del Castilho me jogou num buraco. Saí cedo, com o caos de sempre na Zona Norte do Rio de Janeiro: buzinas na Avenida Pastor Martin Luther King Jr., minha mãe gritando com os irmãos pra se arrumarem pro colégio. Arrumei as mochilas da Joyce e da Lara, engoli um café frio e corri pro metrô . Olhei a plataforma inteira, torcendo pra ver aquele cabelo castanho, mas nada. O trem chegou, lotado como sempre, e eu entrei com um vazio, pensando que talvez ele fosse só um sonho bobo na minha cabeça.
No trabalho, na Carioca, eu tava azeda. A Luiza, com seu jeito desengonçado e riso alto, tentou puxar papo, mostrando fotos dos shih tzus dela, mas eu só queria fazer minhas planilhas e sumir. “Evelyn, tá com cara de quem brigou com o mundo!”, ela disse, mas não respondi. Meu chefe, o Felipe, tava de olho, então me forcei a focar, mas minha cabeça tava na estação, no cara da mochila. Fazia tempo que eu não sentia isso, sabe? Esse frio na barriga, esse conto de fadas que inventei na Linha 2 do metrô. Nunca fui de me apaixonar fácil, mas com ele era diferente, como se o destino estivesse brincando comigo.
Na volta, cheguei na estação Nova América/Del Castilho já no fim da tarde, exausta e sem esperança. Olhei pro Shopping Nova América, brilhando com suas luzes, mas nem me animei pra entrar – nunca entro, é sempre só passagem. Subi a passarela, com o barulho do metrô ecoando, quando senti um puxão forte na bolsa. Um cara magrelo, com cara de nervoso, tentou roubar! Segurei firme, gritando “larga!”, até que ele mostrou uma faca. Meu coração gelou, mas antes que eu pudesse reagir, um vulto apareceu. Era ele! O cara do metrô, com um movimento rápido, tipo filme de ação, derrubou o ladrão no chão e pegou minha bolsa de volta.
A polícia que fica na estação chegou correndo e levou o cara, mas eu tava em choque, tremendo na passarela. Ele me olhou, com aqueles olhos que já conhecia de cor, e perguntou: “Oi, você tá bem?”. Balancei a cabeça, sem voz, e ele me pegou pelas mãos, me levando pro café dentro do Shopping Nova América. Sentou comigo, comprou uma água gelada e perguntou de novo: “Moça, tá bem mesmo?”. Eu mal conseguia falar, mas finalmente saiu: “Oi, me chamo Evelyn. Desculpa, foi tudo tão rápido… semana louca, sabe?”. Ele sorriu – meu Deus, que sorriso! – e disse: “Eu sou Gael, já te vi umas vezes na estação. Quer que eu te leve pra casa? Tô vendo que você mora pertinho”.
Sentei ali, no café, ainda meio zonza, mas com o coração disparado. Conversamos, e parecia que a gente se conhecia há anos. Ele contou que trabalha numa loja de departamentos no shopping, mas não entrou em detalhes, e eu não perguntei muito – tava ocupada demais sentindo ele ali, tão perto. Quando Deus quer unir, usa até um ladrão, né? Esqueci da hora, rindo com ele sobre o caos do metrô e a vida corrida. Ele ofereceu me levar em casa, mas disse que respeitava se eu não quisesse. “É pertinho, Gael, tô de boa”, falei, mesmo querendo dizer “fica comigo pra sempre”. Trocamos WhatsApp, e meu coração tava ardendo – paixão, mas também um conforto que eu não explicava.
Cheguei em casa e minha mãe, Ana Clara, tava surtando de preocupação. “Evelyn, onde você tava? Tô quase ligando pra polícia!”. Contei do assalto, do Gael, e ela ficou com os olhos arregalados, mas aliviada. Fiz um caldo de abóbora pra gente, e sentamos com as crianças pra jantar. Minha mãe, tão nova, mas tão perdida desde que o Paulo, meu padrasto, se foi, tentou me dar um sermão, mas acabou rindo comigo. Deitei passando cada segundo daquele momento na cabeça: o golpe do Gael, o jeito que ele segurou minhas mãos, o sorriso. O cotidiano carioca, com seus sustos e surpresas, tinha me dado um herói.
Deitada, olhando pro teto, pensei no quanto minha vida é pesada: as contas, os irmãos, minha mãe que ainda não se achou. Mas o Gael, com aquele jeito simples e heroico, era um sopro de esperança. O Shopping Nova América, a estação, a Linha 2 – tudo parecia conspirar pra gente se encontrar. Será que ele tava pensando em mim também? Meu coração puro, que ainda acredita em contos de fadas, dizia que sim.
No sábado, acordei com o celular na mão, relendo a mensagem que ele mandou: “Evelyn, se cuida, tá? Qualquer coisa, me chama”. Sorri boba, imaginando o próximo esbarrão na estação Nova América/Del Castilho. O fim de semana parecia eterno, mas agora eu tinha o WhatsApp dele e um motivo pra sonhar. E você, tá sentindo esse frio na barriga comigo? Porque a Linha 2 tá só começando a contar essa história.
Capítulo 4: O Café que Parou o Tempo
Era sábado, e eu não trabalhava, mas ele, sim. Trabalhar no Shopping Nova América é assim, né? Final de semana não tem folga. Fiquei pensando mil vezes em dar uma passadinha lá, só pra esbarrar com ele “por acaso”, mas quem eu quero enganar? Escrevi e apaguei umas cem mensagens no WhatsApp, com o coração na mão. Já passaram por isso, aquele frio na barriga que te deixa sem saber o que fazer? Cuidei da casa , faxina, lavei as roupas do trabalho, arrumei a bagunça dos irmãos, mas minha cabeça tava na estação Nova América/Del Castilho, imaginando o Gael. O metrô tem esse poder: transforma esbarrões em sonhos que não saem da cabeça.
De repente, o celular apitou. Era ele! “Oi, Evelyn, seria muita ousadia te chamar pra um café? Meu turno acaba às 18h, o que acha, muito em cima?”. Meu coração virou uma bateria de escola de samba, só que completamente sem ritmo! Pensei em me fazer de difícil, mas, gente, era um café, não um pedido de casamento. Respondi: “Tô dentro! Te encontro às 18h no Café da Liz, no Shopping Nova América”. Escolhi um vestido azul que me faz sentir bonita, passei um batom leve e saí, com o estômago cheio de borboletas. Minha mãe, Ana Clara, que tava melhorando da queimadura, olhou pra mim e disse: “Vai com calma, hein, Evelyn!”. Ri, mas tava nervosa.
Cheguei no Café da Liz, aquele cantinho charmoso do shopping com cheiro de pão de queijo e tortas que dão água na boca. O Gael tava lá, com uma blusa polo cinza e aquele sorriso que me deixa boba. “Nossa, Evelyn, você tá linda, tá diferente!”, ele disse, e eu sorri de orelha a orelha, sem conseguir evitar. A gente empacou na hora de se cumprimentar – ele foi pro abraço, eu pro aperto de mão, e acabamos rindo. “Vamos sentar”, falei, tentando disfarçar a timidez.
Pedi um café expresso com creminho e um bolo de cenoura com calda de chocolate, e ele, meu Deus, pediu um pão de queijo recheado, um cappuccino grande, um waffle e um bolo de churros. “Tô com fome!”, ele riu, e a gente caiu na gargalhada.
As horas voaram. Descobrimos que amamos praia – ele surfa, e eu confessei que morro de vontade de aprender. Nenhum de nós bebe, e os dois curtem cinema e passeios ao ar livre, na luz do dia. O papo fluiu tão natural, como se a Linha 2 do metrô tivesse nos unido por mágica. Na hora de pagar, ele segurou minha mão e disse: “De jeito nenhum, eu te convidei”. E, gente, ele não soltou minha mão! Meu coração tava a mil, e eu não sabia se ria ou se desmaiava. Saímos do café, ainda de mãos dadas, andando pelo Shopping Nova América, com as lojas lotadas e o clima carioca pulsando ao nosso redor.
Chegamos na porta do shopping, e ele perguntou: “Posso te levar em casa hoje?”. Sorri, meio sem graça, e disse que sim. Fomos andando até meu prédio em Del Castilho, e eu me sentia num conto de fadas urbano. Na porta, ele me deu um beijo na bochecha, tão leve que quase derreti. “Te mando mensagem quando chegar em casa”, ele disse, e deixou escapar que mora em Botafogo – não na Fazenda Botafogo, como brinquei, rindo. Ele riu junto, e aquele momento ficou gravado em mim. Disse boa noite e entrou no prédio, com o coração leve como nunca.
Em casa, minha mãe estava me esperando, com o caldo de abóbora requentado e os irmãos fazendo bagunça. Contei do café, do Gael, e ela ficou toda animada, mesmo com o braço ainda enfaixado. “Esse menino parece especial, Evelyn”, ela disse, e pela primeira vez em muito tempo, senti que ela tava comigo. Deitei na cama, relendo a mensagem dele: “Cheguei, boa noite, sonha comigo”. Sorri como uma boba, pensando no jeito que ele segurou minha mão.
O sábado terminou com a Zona Norte do Rio de Janeiro quieta lá fora, mas meu coração tava barulhento. O Gael, com seu jeito simples e aquele beijo na bochecha, tinha transformado meu fim de semana. O Shopping Nova América, a estação, o metrô RJ – tudo parecia conspirar pra esse romance. Será que ele tava pensando em mim como eu tava pensando nele?
Domingo amanheceu, e eu já tava contando as horas pra segunda, pra voltar à estação Nova América/Del Castilho e quem sabe esbarrar com ele de novo. O metrô Rio de Janeiro tava virando o palco do meu conto de fadas, e eu não queria que a cortina fechasse. E você, tá sentindo essa paixão comigo? Porque a Linha 2 tá só começando a aquecer essa história.
Capítulo 5: Um Beijo na Estação
Acordei com o despertador, coisa rara. Depois do encontro no café da Liz e de um domingo inteiro trocando mensagens com Gael, dormi tranquila, como se a vida tivesse me dado uma trégua. Marcamos de tomar um café na estação no fim do dia, e eu já estava ansiosa, quase esquecendo o caos que é minha rotina. Minha mãe ia ao médico com uma amiga pra ver as queimaduras, então eu estava menos sobrecarregada. Mesmo assim, a manhã foi mais lenta. Consegui me arrumar, pegar o trem a tempo e cheguei no trabalho sem atrasos.
Mas o dia no escritório foi um teste de paciência. Felipe, meu chefe, estava azedo, gritando que esse ano não vai ter festa de fim de ano. Ufa, pensei, aliviada. Odeio essas obrigações cheias de falsidade. Fora que eu, Luisa e Carla sempre fazemos nossa própria confraternização, sem ninguém do escritório saber. O dia se arrastou, como se o relógio estivesse me desafiando. Felipe berrava, os prazos apertavam, mas minha cabeça estava na estação, no Gael.
Quando finalmente deu a hora de sair, corri pro banheiro. Ajeitei o cabelo, passei um corretivo pra disfarçar as olheiras, coloquei um batom. Claro que Luisa e Carla não perderam a chance de me zoar. “Tá apaixonada, tá apaixonada, tá apai-xo-na-da!”, cantaram, rindo alto. Revirei os olhos, mas, no fundo, era verdade. Eu estava.
Cheguei na estação com o coração disparado. Lá estava ele, de blusa azul, com aquele sorriso que me deixa bamba. “Acabei de chegar, ia te mandar uma mensagem”, ele disse, se aproximando. “Pensou muito em mim? Porque eu não parei um minuto.” Antes que eu pudesse responder, ele me deu um beijo na bochecha e segurou minha mão. Eu ri, ou melhor, sorri, daquele jeito que não dá pra esconder.
Os minutos voavam enquanto conversávamos. Eu queria que o mundo parasse, que a gente pudesse ficar ali pelo resto dos dias. Mas então ele veio com uma proposta que me pegou de surpresa. “Eu sei que a gente se conhece há pouco tempo, apesar de parecer que te conheço uma vida inteira”, ele começou, os olhos brilhando. “Vai ter o feriadão, e eu vou ter uns dias de folga. Meus pais têm uma casa em Itaúna, foi lá que aprendi a surfar. Quer vir comigo? Te ensino a surfar, a gente tira uns dias juntos.”
Fiquei tão entusiasmada com a ideia de passar mais tempo com ele, mas ao mesmo tempo nervosa. Era cedo demais? E minha mãe, como eu ia explicar? Apesar de ser quem segura as pontas em casa, tinha tanta coisa pra resolver. Fiquei mais nervosa ainda pensando em como falar com ela sobre isso. “Gael, eu adoraria, mesmo”, respondi, hesitante. “Mas tenho que ver como posso organizar minha vida, conversar com minha mãe… Preciso arrumar um jeito pra tirar esse tempo pra gente.”
Ele sorriu, um sorriso que derreteu minhas dúvidas. “Adorei ouvir ‘pra gente’”, ele disse, e então me puxou. O beijo veio como uma onda, forte, real, fazendo minha pele arrepiar inteira. Minhas pernas se perderam, e senti que aquele momento era de verdade, como uma obra de amor de Deus. “Desculpa, Evelyn, eu não me contive”, ele disse, rindo, um pouco envergonhado. Passei a mão no rosto lindo dele e dei um beijo mais calmo, mas ainda apaixonado. Seus lábios pareciam tão perfeitos pra mim, como se fossem feitos pra se encaixar nos meus.
Capítulo 6: Um Feriado em Itaúna
As duas semanas voaram. O feriadão estava aí, e eu sentia um frio na barriga que não explicava. Conversei com minha mãe sobre a viagem, e, no começo, ela ficou meio chateada. Afinal, eu sempre fui a que segura as pontas em casa. Mas acho que nunca tirei um tempo pra mim, e ela acabou entendendo o quanto Gael era importante. No fim, ela ficou até feliz por mim, com aquele sorriso de quem quer ver a filha vivendo um pouco.
Luisa e Carla foram minhas salvadoras. Me arrastaram pras lojas do centro pra comprar um biquíni novo, e juro, elas estavam mais animadas que eu. “Manda foto, Evelyn! Se joga, menina!”, diziam, enquanto experimentávamos peças coloridas em provadores lotados. Ali, senti que tinha amigas de verdade, felizes por me ver feliz. Mas eu? Eu estava nervosa. Sabia que essa viagem com Gael podia ser mais que beijos, e isso me deixava em pânico. Eu era quase virgem — só tinha feito aquilo com meu primeiro namorado, anos atrás. Nossa Senhora, fazia tanto tempo que eu nem sabia mais como era. Não é que eu me faça de santa, sou tímida mesmo. Não acho que devo sair transando com todo mundo por aí. É minha opinião.
No dia da viagem, Gael chegou de carro no meu prédio. Desci toda envergonhada, com a mochila nas costas, e quase caí dura quando vi o carro. Um carro daqueles, brilhando, caro. Como assim? Ele trabalha no shopping, como tem um carro desses? Tive vontade de perguntar, mas fiquei quieta. Minhas dúvidas sempre me deixam perdida em mim mesma.
Ele estava lindo, com um sorriso que iluminava tudo. “Tô tão animado, sabia?”, disse, abrindo a porta pra mim. “Estar com você é tudo que quero. Vamos!” Meu coração disparou, e o nervosismo misturou com uma vontade louca de viver aquele momento.
Chegamos em Itaúna, e a casa dos pais dele não era nada do que eu imaginava. Pensei numa casa simples, mas era tipo cenário de novela: toda de vidro e madeira, com os pés na areia. Como assim aquilo era a casa dos pais dele? Ao entrar, Gael foi logo chamando: “Mãe, pai, cheguei!” Entramos numa varanda, e eu congelei, numa vergonha paralisante. Ele me apresentou: “Mãe, pai, essa é a Evelyn. Evelyn, esses são meus pais, Ricardo e Mariset Petronier.”
Petronier. Aquele nome bateu como um trovão. Lojas Petronier. Império Petronier. A loja de departamentos mais famosa do Brasil. Meu constrangimento subiu a um nível que eu nem sabia que existia. Então Gael era filho dos Petronier? Acho que estou tonta.
Capítulo 7: Ondas e Inseguranças
O feriado em Itaúna continuava, e eu ainda não tinha processado tudo. Depois de conhecer os pais de Gael — os Petronier, meu Deus! —, ele me levou pra um quarto perto da piscina. Era uma suíte, dessas que parecem de hotel chique, com uma poltrona fofa onde joguei minha mochila. Ao lado, tinha outro quarto cheio de pranchas de surfe, coloridas, alinhadas como se fossem parte da decoração. Gael estava radiante, todo animado, mas eu? Perplexa. Ainda tentando entender como aquele cara do metrô, que trabalhava no shopping, era herdeiro de um império.
Ele percebeu meu silêncio. “Evelyn, você tá bem?”, perguntou, com aquele olhar que me desmonta. Respirei fundo, tentando organizar os pensamentos. “Sim, Gael, tô bem. Mas… eu não esperava conhecer seus pais. Você não me contou que eles estariam aqui.” Ele riu, meio sem jeito. “Na verdade, eles não iam estar. Estão indo visitar meu tio em Mangaratiba e devem ficar por lá. Mas meu pai tava curioso pra te conhecer. Falei de você… ou melhor, ele percebeu minha felicidade nesses últimos dias.”
Achei tão fofo o que ele disse que sorri, sentindo um calor no peito. Respirei de novo e perguntei: “Você trabalha no shopping, né?” Ele assentiu. “Já te disse, sou gerente de projetos. A loja nova da Petronier.” Hesitei, e ele completou, como se lesse minha mente: “Sim, sou herdeiro, mas trabalho desde cedo com meu pai. Sou o único herdeiro dele. Meus pais são pessoas simples, Evelyn. Trabalharam muito pra construir tudo isso, e espero passar esse legado pros meus filhos. Quem sabe… nossos filhos?”
Ri, o rosto pegando fogo. Nossos filhos?, pensei, meio em pânico, meio encantada. “E se sua família não gostar de mim?”, perguntei, quase sussurrando. “Impossível, Evelyn. Relaxa e vamos surfar!”
Chegamos na areia, e o dia estava quente, o sol queimando a pele. Eu tava com vergonha dele e, pior, ainda pensando nos pais. Como íamos surfar, coloquei o biquíni maior, mais seguro, que comprei com Luisa e Carla. Não queria arriscar um vexame na frente do herdeiro dos Petronier.
Gael pegou uma prancha e me entregou outra, com um sorriso travesso. “Pronto pra te transformar numa surfista?”, brincou. Eu ri, nervosa. “Gael, eu mal sei nadar direito, quanto mais surfar!” Ele se aproximou, segurando a prancha pra mim. “Confia em mim. É só se equilibrar e deixar a onda te levar. Eu te ajudo.”
Na água, tudo parecia mais leve, mas também mais assustador. Gael explicava com paciência: como deitar na prancha, remar com os braços, tentar ficar de pé. Minha primeira tentativa foi um desastre — caí de cara na água, engolindo um gole de mar. Ele riu, mas não de um jeito cruel, e me puxou pela mão. “Tá indo bem, juro! Só precisa tentar de novo.” Tentei mais algumas vezes, e, em uma delas, consegui ficar de pé por uns segundos antes de tombar. Gael bateu palmas, como se eu tivesse ganhado um campeonato. “Tá vendo? Você é natural!”
Sentamos na areia pra descansar, com a prancha ao meu lado e o cabelo pingando. O mar brilhava à nossa frente, e eu não conseguia parar de olhar pra ele. Mas, no fundo, as dúvidas continuavam. Ele é herdeiro. Eu sou só a Evelyn, do metrô, da vida caótica. Será que isso vai dar certo? Ele percebeu meu silêncio de novo e segurou minha mão. “Ei, tá pensando demais. O que foi?” Sorri, tentando disfarçar. “Nada, só… tentando entender como cheguei aqui. Você, essa casa, seus pais…” Ele apertou minha mão. “Evelyn, eu sou o mesmo cara do metrô. Não importa o resto. Tô aqui porque quero estar com você.”
Meu coração disparou, e, por um segundo, acreditei que podia ser simples assim. Mas, enquanto o sol descia, eu sabia que ainda tinha muito pra processar — sobre Gael, sobre mim, sobre esse mundo tão diferente do meu.
Capítulo 8: Uma Noite em Itaúna
O feriado em Itaúna continuava, e eu ainda estava tentando me acostumar com tudo. Voltamos pra casa depois da aula de surfe, e, pra meu alívio, os pais de Gael já tinham ido embora pra Mangaratiba. Respirei aliviada, como se um peso tivesse saído dos meus ombros. Gael tomou banho primeiro, e logo depois fui eu. A suíte era tão chique que eu quase tinha medo de tocar nas coisas, mas a água quente me acalmou, lavando o sal do mar e um pouco das minhas inseguranças.
Ao sair do banho, vi um bilhete na bancada do quarto. Evelyn, coloca uma roupa bonita, mas não use salto. Pode ser chinelos. Não entendi nada. Fiquei olhando pro papel, tentando decifrar, mas decidi seguir o jogo. Coloquei o vestido rosa que comprei com as meninas no centro, aquele que Carla insistiu tanto pra eu levar. Enquanto arrumava a mochila, achei outro bilhete: Sai em direção ao mar. Meu coração acelerou. O que esse homem tava planejando?
Passei pelas portas francesas da casa, e lá estava: uma mesa na areia, iluminada por luz de velas, com o mar ao fundo. Gael tava lindo, de bermuda jeans e camiseta branca, com aquele sorriso que me desmonta. “Pedi um jantar especial pra gente”, ele disse, apertando os olhos, travesso. Então, puxou uma caixa de pizza. Eu nunca ri tanto! Pizza! E não era qualquer pizza — tinha até uma doce, de chocolate com morangos. Era tudo tão simples, tão ele, e ao mesmo tempo tão perfeito. Sentamos, rimos, comemos, e, por um momento, esqueci que ele era um Petronier. Era só o Gael, o cara do metrô.
Quando terminamos, fomos pra suíte. Eu tava esperando ele me puxar pra mais um beijo, mas ele foi ainda mais cavalheiro. “Vou dormir no sofá, ele é grande. Você fica na cama”, disse, apontando pro canto. Meu coração disparou. Eu tava doida por ele, não dava mais pra segurar. Desde o dia que o vi na estação, eu queria ele — não o herdeiro, não o cara da casa chique, mas o Gael. “Gael, vem aqui”, falei, a voz firme, mesmo com o nervosismo.
Ele se aproximou devagar, os olhos brilhando na penumbra. Puxei o rosto dele e beijei seus lábios lentamente, querendo guardar cada segundo daquele momento. Deslizei a mão pelo peito dele, sentindo o calor da pele, e tirei a camiseta. Ele era todo meu. Gael passou a mão na minha cintura, descendo os lábios pelo meu pescoço, e eu senti um arrepio que apagou qualquer traço de timidez. “Quero ser sua”, murmurei, quase sem fôlego. “Quero ser inteira amada por você.”
Ele riu, aquele riso quente que me fazia derreter, e tirou meu vestido com cuidado, como se eu fosse algo precioso. Me pegou no colo, me colocou na cama, e ali, naquela noite, me mostrou o quanto eu podia ser feliz. Cada toque, cada beijo, cada sussurro era como uma promessa. Ele me amou com uma intensidade que fez o mundo lá fora desaparecer. Eu não era mais a Evelyn tímida do metrô — era dele, inteira, e pela primeira vez em muito tempo, senti que podia ser feliz assim, sendo amada a noite inteira.
Capítulo 9: Um Sonho que Escapou
Acordar em Del Castilho foi como despertar de um sonho. O feriado em Itaúna passou rápido, entre pranchas, noites quentes, muito amor e companheirismo. Como num passe de mágica, eu estava de volta ao meu apartamento, com crianças correndo pra todo lado. Não me entenda mal, eu amo todas elas, mas eu queria viver aquela viagem de novo e de novo e de novo. Só que a realidade me puxou de volta, e lá estava eu, pegando o metrô de Del Castilho pro centro do Rio.
Era segunda-feira, e eu não ia ver Gael. Durante a viagem, ele me contou que o projeto na loja do Nova América estava quase acabando. Ele tinha mais 15 dias de trabalho lá antes de voltar pra sede na Barra. Aquilo me deixou arrasada. Comecei a me conformar que Gael era só um sonho, algo bom demais pra ser verdade. Mas, ao mesmo tempo, ele me amava. Eu sentia isso, mesmo sem acreditar que era possível alguém como ele me amar de verdade.
As meninas, Luisa e Carla, estavam loucas pra saber da viagem. Mostrei as fotos da praia, do mar brilhando, mas não contei nada sobre quem Gael realmente era. Não contei pra ninguém, nem pra minha mãe. Não queria que o mundo soubesse que o cara do metrô era herdeiro dos Petronier. Aquilo era só meu, pelo menos por enquanto.
Os dias foram passando, e todo dia eu e Gael nos víamos no metrô. Era estranho, porque até então eu não tinha tido coragem de perguntar por que ele, um herdeiro, pegava metrô pro shopping. Tinha algo que não encaixava, mas eu deixava pra lá, perdida no sorriso dele.
Então, numa quinta-feira, tudo mudou. Antes de sair do trabalho, Carla correu até mim, com o celular na mão e os olhos arregalados. “Não é o Gael?”, perguntou, mostrando uma notícia no jornal. Herdeiro do império Petronier tem um novo amor, saiba tudo sobre… Exatamente. Sobre mim. Abri meu Instagram e quase caí dura: mais de 200 mil seguidores, mensagens lotando minha caixa, gente que eu nunca vi me marcando em fotos. Comecei a entrar em pânico.
Liguei pra Gael na mesma hora, o coração na boca. Ele atendeu, a voz tensa. “Acabei de ver, Eve. Desculpa, não queria que isso acontecesse com a gente. Depois te ligo com calma.” E desligou. Fiquei olhando pro celular, sem entender. Os dias foram passando, e Gael simplesmente desapareceu. Não mandava mensagens, não aparecia no metrô. Nada. Foi aí que entendi: tinha sido um sonho lindo, que me rendeu uma fama estranha. Tudo tava estranho.
Capítulo 10: Surfando na Fama
Os dias depois que Gael sumiu eram como andar num metrô vazio — tudo parecia sem graça, mesmo com o barulho da vida ao meu redor. A fama que explodiu por causa da notícia sobre mim e ele, o “herdeiro dos Petronier”, tava me engolindo. Meu Instagram não parava de crescer — já eram 250 mil seguidores, e eu recebia mensagens de marcas de biquínis, maquiagem, até lojas de acessórios. No começo, achei que era só um pesadelo, mas Luisa e Carla me sacudiram. “Evelyn, surfa essa onda, menina!”, disse Carla, quase gritando, enquanto mostrava tutoriais de como monetizar redes sociais. “Você pode virar influencer e mandar o Felipe pro espaço”, completou Luisa, com aquele olhar de quem já tava planejando minha carreira.
Eu não sabia por onde começar, mas a ideia de largar o emprego com aquele chefe azedo era tentadora. Num impulso, respondi uma marca de roupas de praia que me ofereceu uma parceria. Fiz um post com o biquíni que usei em Itaúna, contando um pedacinho da viagem — sem mencionar Gael, claro. O post explodiu. Em dois dias, ganhei mais dinheiro do que num mês no escritório. “Tá vendo? Você é boa nisso!”, disse Luisa, me ajudando a editar fotos. Comecei a criar conteúdo regularmente, e, em uma semana, tinha contratos com três marcas. Era assustador, mas pela primeira vez senti que podia construir algo meu, sem depender de ninguém.
Mas o vazio de Gael não saía de mim. Eu relia as mensagens dele, tentando entender por que ele sumiu depois daquela ligação. “Desculpa, Eve, não queria que isso acontecesse.” O que isso queria dizer? Ele tava fugindo da fama ou de mim? No metrô, eu olhava pros cantos, esperando ver ele com aquela blusa azul, mas nada. Minha mãe percebeu minha cara de derrotada e tentou animar. “Filha, se ele te ama, vai voltar. Mas não para de viver por causa dele.” Ela tava certa, mas meu coração não obedecia.
Na sexta-feira, enquanto editava um vídeo pro Instagram, recebi uma mensagem de um número desconhecido. “Evelyn, é o Ricardo, pai do Gael. Ele tá passando por um momento difícil. Pode encontrar comigo na sede da Petronier, na Barra, amanhã? Quero explicar.” Meu estômago virou. O pai dele? Por que ele tava me chamando? Parte de mim queria ignorar, mas a outra precisava de respostas. Peguei o metrô no sábado de manhã, o coração batendo forte, imaginando mil coisas. Será que Gael tava bem? Será que ele me abandonou de vez?
Cheguei na sede, um prédio todo de vidro que parecia gritar “você não pertence aqui”. Ricardo me recebeu numa sala chique, com um sorriso cansado. “Evelyn, o Gael tá lidando com um problema na empresa. Um escândalo financeiro que envolveu meu nome. Ele quis te proteger, manter você longe dessa bagunça.” Fiquei sem ar. “Proteger? Ele sumiu, Ricardo. Me deixou sozinha com essa fama toda.” Ele suspirou. “Ele te ama, mas acha que nosso mundo vai te sufocar. Me pediu pra te dizer que sente muito.”
Saí de lá com raiva e o coração apertado. No metrô de volta, chorei, escondida atrás dos óculos escuros. Gael achava que me proteger era me abandonar? Mas, no fundo, eu sabia que ainda o amava. E agora, com minha vida mudando — o marketing digital, a fama, a possibilidade de largar o emprego —, eu precisava decidir: ia correr atrás dele ou construir meu caminho sozinha?
Capítulo 11: O Peso da Escolha
Eu tava mudando. O marketing digital tinha virado minha tábua de salvação. Depois do encontro com Ricardo, pai do Gael, e da revelação sobre o escândalo na empresa Petronier, mergulhei de cabeça nas redes sociais. Meu Instagram já passava dos 350 mil seguidores, e as parcerias com marcas de roupas, cosméticos e até acessórios de praia tavam pagando mais do que eu sonhava. Luisa me ajudava a editar vídeos, e Carla dava ideias pras legendas, sempre com aquele jeito dela: “Evelyn, você é a nova rainha do Rio!”. Na semana passada, criei coragem e pedi demissão. Entrei na sala do Felipe, que tava com a cara azeda de sempre, e disse: “Tô fora.” Ele resmungou algo sobre ingratidão, mas saí de lá leve, como se tivesse deixado um peso de anos no escritório.
Mas a fama não era só flores. No metrô, eu sentia olhares, cochichos, às vezes até fotos tiradas na cara dura. No Instagram, junto com os elogios, vinham haters me chamando de “interesseira” ou “caça-fortunas”. Como se eu soubesse que o Gael era um Petronier quando o conheci na Linha 2! Aquilo machucava, mas eu tentava ignorar, focando nos posts e no dinheiro que entrava. Minha mãe tava orgulhosa, dizendo: “Você tá brilhando, filha, mas cuidado pra não se perder.” Ela tinha razão, mas o que me fazia perder o chão era o vazio do Gael.
Ele não dava sinal de vida desde aquela ligação seca. Eu relia a mensagem do Ricardo — “Ele quis te proteger” — e ficava com raiva. Proteger? Me abandonando? No fundo, eu sabia que o amava, mas a mágoa tava maior. Numa noite, depois de gravar um vídeo pra uma marca de maquiagem, tomei coragem. Mandei uma mensagem pra ele: Gael, se você me ama, por que me deixou sozinha com esse circo todo? Fala comigo. Esperei, olhando o celular como se minha vida dependesse disso. Horas depois, ele respondeu: Eve, errei. Posso te encontrar no seu apê amanhã? Precisamos conversar.
No dia seguinte, uma quinta-feira, ele bateu na porta. Meu coração parou quando o vi, com olheiras, o cabelo bagunçado, mas ainda com aquele sorriso que me derrubava. “Eve, me deixa explicar”, ele começou, a voz tremendo. “O escândalo na empresa tá destruindo meu pai. Minha família queria que eu me afastasse de você, porque acham que a mídia vai te machucar. Quis te proteger, mas fiz tudo errado.” Fiquei olhando pra ele, sentindo raiva e amor brigando dentro de mim. “Você decidiu por mim, Gael”, retruquei, a voz embargada. “Me puxou pro seu mundo e depois me abandonou. Isso não é amor.”
Ele baixou a cabeça, como se minhas palavras fossem um soco. “Você é tudo pra mim, Eve. Não sei como consertar isso, mas não quero te perder.” As lágrimas escorreram, e eu não sabia se queria abraçá-lo ou gritar. “Preciso de tempo, Gael”, falei, quase sussurrando. Ele assentiu, mas antes de sair, deixou um bilhete na mesa: Você é meu lar, Eve. Não desisto de nós. Fechei a porta, o coração apertado, e li o bilhete mil vezes. No metrô, voltando do trabalho (agora como freelancer), olhava pro papel e pensava: E se ele estiver falando a verdade?
Naquela noite, Luisa e Carla apareceram no apê, com uma garrafa de vinho e um monte de perguntas. “Conta tudo, Evelyn!”, disse Carla, enquanto Luisa me abraçava. Contei da briga, do bilhete, e elas se dividiram: Carla achava que eu devia perdoar, Luisa dizia pra me valorizar. Minha mãe, que ouviu tudo da cozinha, só falou: “Amor de verdade enfrenta tudo, filha. Mas você decide.” Fui dormir com o bilhete na mão, sonhando com a estação, onde tudo começou, e com uma pontada de esperança que eu não queria admitir.
Capítulo 12: O Recomeço na Linha 2
O bilhete de Gael — Você é meu lar, Eve. Não desisto de nós — tava grudado na minha cabeça. Eu lia e relia, tentando decidir o que fazer. Minha vida tava mudando rápido. O marketing digital tinha virado minha paixão. Com 400 mil seguidores e um contrato grande com uma marca de cosméticos, eu finalmente me sentia dona de mim mesma. Minha mãe sorria orgulhosa, e Luisa e Carla zoavam: “Evelyn, a influencer de Del Castilho!” Mas, no fundo, faltava ele. Gael. O cara do metrô que virou meu mundo de cabeça pra baixo.
Numa manhã, enquanto editava um vídeo pro Instagram, recebi uma mensagem dele: Eve, me encontra na nossa estação hoje, 18h. Prometo explicar tudo. Meu coração disparou. Parte de mim queria dizer não, lembrar da mágoa, do sumiço, da fama que ele jogou em cima de mim sem aviso. Mas a outra parte — a que ainda sentia o gosto dos beijos em Itaúna — já tava calçando os tênis. “Se joga, filha”, minha mãe disse, me abraçando antes de eu sair. “Mas vai de coração aberto.”
No metrô, o barulho dos trilhos parecia ecoar meus pensamentos. E se ele sumisse de novo? E se a família dele nunca me aceitasse? Cheguei na estação Nova América , lotada como sempre, e lá estava ele, de blusa azul, igual ao primeiro dia. Tinha um buquê de girassóis na mão, simples, nada de Petronier ostentação. “Eve”, ele começou, a voz tremendo, “errei feio. Sumir foi covardia. Mas tô aqui pra consertar.”
Respirei fundo, a raiva ainda ali, misturada com saudade. “Por que você sumiu, Gael? E por que, sendo quem você é, tava no metrô aquele dia?” Ele riu, meio sem graça, e olhou nos meus olhos. “Meu carro quebrou, Eve. Eu tava atrasado, o trânsito tava um inferno, então corri pro metrô. Aí esbarrei em você. E… não sei explicar. Nunca acreditei em amor à primeira vista, mas soube ali que você era a mulher da minha vida. A mãe dos meus filhos. Passei a ir de metrô todo dia só na esperança de te encontrar de novo.”
Minhas pernas fraquejaram. Ele continuou, segurando minhas mãos. “Quando o escândalo na empresa estourou, quis te proteger. Minha família tava me pressionando pra escolher outro caminho, outra pessoa. Mas não dá, Eve. É você.” Lágrimas escorriam pelo meu rosto, e eu não sabia se ria ou chorava. “Você me deixou sozinha, Gael. Com toda aquela fama, aquelas manchetes…”
“Eu sei”, ele disse, a voz quebrada. “Mas precisei resolver os problemas da empresa. Disse pro meu pai que quero uma vida linda, com você. Não preciso de mais nada para ser feliz, só de nós.” Ele se ajoelhou, tirando um anel perfeito do bolso, nada exagerado, com uma pedra pequena e delicada. “Evelyn, casa comigo? Quero você, a Linha 2, pizza doce e tudo que vem com a gente.”
Por um segundo, lembrei de tudo: a timidez do primeiro encontro, a noite em Itaúna, a briga, a fama. Mas ali, na estação onde tudo começou, com o barulho do metrô ao fundo, eu sabia a resposta. “Sim, Gael”, falei, chorando e rindo ao mesmo tempo. Ele colocou o anel no meu dedo, me puxou pra um beijo, e a multidão ao redor aplaudiu, como se fosse um filme. Luisa e Carla, que apareceram do nada (elas confessaram depois que Gael pediu pra elas estarem lá), gritaram: “É isso, Evelyn! A rainha do metrô!”
Naquela noite, no apê, enquanto planejávamos um casamento simples — com pizza doce e as crianças correndo —, olhei pro Gael e pensei: o metrô me trouxe ele, e a vida, com todo o caos, me deu um novo lar.
Agradecimento aos Leitores
Ei, galera, muito obrigado por mergulhar de cabeça em Metrô Rio! Espero que tenham curtido cada momento do caos, do amor e das voltas que a Evelyn e o Gael deram na Linha 2. Essa história veio do coração, e saber que vocês chegaram até aqui comigo é demais! Conta aí nos comentários ou nas redes o que acharam: riu com as zoações da Luisa e da Carla? Chorou com o pedido na estação? Me diz tudo! E se vocês gostaram desse clima de romance carioca, bora se jogar em outros livros meus, como O Noivo da Minha Irmã, que tá cheio de emoção e surpresas. [clica aqui] Valeu, de verdade, e até a próxima viagem!






Por mais Historias assim Carol ...
ResponderExcluir