Amante do CEO que Sabia Demais
Capítulo 1: O Primeiro Olhar
Nunca fui boa em recomeços. Mas ali estava eu, de salto baixo, pastinha na mão e um medo insuportável colado ao peito. A recepcionista me pediu para esperar na sala de vidro com vista para a Baía de Guanabara. Era minha primeira manhã na Moreno Finance. A paisagem era linda, mas eu só conseguia focar nas minhas mãos tremendo.
"Isadora Alencar?" A voz grave me despertou como um soco.
Quando levantei os olhos, ali estava ele. Cael Moreno. Alto, imponente, com um terno que provavelmente custava mais que meu aluguel anual. Mas não foi isso que me atingiu. Foram os olhos. Cinzentos, frios, cortantes como lâminas de gelo. E eles estavam cravados em mim.
"Sim, sou eu."
Ele não sorriu. Não ofereceu a mão. Apenas deu meia-volta. "Venha comigo."
Segui o som dos passos dele como se estivesse hipnotizada. Cada movimento dele era calculado, preciso. Ele não precisava gritar para ser ouvido. O poder se espalhava ao redor dele como um perfume caro e perigoso.
Ao entrar em sua sala, senti o ar mudar. Era espaçosa, minimalista, fria como ele. Ele se virou e me olhou de novo. Dessa vez, com um leve franzir nos lábios.
"Você foi altamente recomendada. Espero que esteja à altura."
Meu coração batia rápido demais. Mas eu não podia deixar transparecer.
"Estou pronta para tudo que o senhor exigir."
Seus olhos desceram para minha boca, por um segundo longo demais. Então ele deu um leve sorriso — um que não alcançava os olhos.
"Veremos, senhorita Alencar. Veremos."
Capítulo 2: Toques e Silêncios
Eu sabia que ele estava me observando. Mesmo quando estava de costas, diante do computador, eu sentia. Era como se o ar ao nosso redor se contraísse. Cada vez que eu me mexia, ele parecia acompanhar o movimento com os olhos.
No segundo dia, ele se aproximou mais que o necessário.
"Gosta de café forte, Isadora?" perguntou, colocando uma xícara ao lado do meu teclado. Os dedos dele roçaram levemente os meus, e eu quase derrubei tudo.
"Sim... obrigada."
Ele sorriu de novo, com aquele ar de quem sabe exatamente o efeito que causa. Aquilo me irritava. E me fascinava.
"Tem algo na sua postura que me intriga", ele disse, ainda muito próximo.
"Como assim?"
"Você parece estar sempre pronta para fugir. Mas também pronta para lutar."
Não respondi. Não podia. Então ele se afastou, e eu finalmente respirei.
Mas o ar entre nós nunca mais foi o mesmo.
Capítulo 3: Encontros Não Planejados
Na terceira manhã, eu o vi antes mesmo de entrar no prédio. Cael estava encostado em seu carro, celular no ouvido, os olhos me seguindo com intensidade. Mesmo de longe, eu senti o impacto.
"Você costuma chegar cedo", ele comentou, depois que desligou a ligação.
"Gosto de me preparar para o dia."
"Ou de evitar olhares curiosos?" A pergunta veio afiada. Dei de ombros, tentando esconder o incômodo.
"Talvez os dois."
Ele abriu a porta do carro com um gesto que me surpreendeu. "Suba comigo."
"Prefiro ir andando."
"Não foi uma sugestão."
Subi. O silêncio dentro do carro era diferente. Quente. Carregado. Eu podia sentir sua presença ao meu lado como uma corrente elétrica. Em certo momento, ele apoiou a mão no encosto do banco atrás de mim, fazendo com que nossos rostos ficassem perigosamente próximos.
"Você está me testando, Isadora?"
"E se eu estiver?"
Ele sorriu, genuinamente dessa vez. E eu senti o chão sumir sob meus pés.
Capítulo 4: Olhos nos Olhos
Comecei a notar os padrões. Cael era metódico, mas havia brechas. Ele evitava determinados andares. Evitava determinados nomes. E havia um envelope trancado em sua gaveta superior que ele consultava com frequência — quando achava que ninguém via.
Mas eu via.
Na quinta-feira, ele entrou na minha sala sem aviso. Trancou a porta atrás de si.
"Precisamos conversar."
Meu coração acelerou. O tom da voz dele era mais baixo, mais denso.
"Fiz algo errado?"
"Ainda não. Mas você anda fazendo perguntas demais."
"Só estou tentando entender meu lugar aqui."
Ele se aproximou devagar. Muito devagar. Parou diante de mim, tão perto que senti o calor do seu corpo.
"Seu lugar, Isadora... pode ser onde eu quiser que seja."
Houve um segundo de silêncio absoluto. Então ele passou os dedos pela minha cintura, lentamente. Minha respiração falhou. Meu corpo inteiro reagiu como se fosse feito de faísca.
"Mas cuidado. Saber demais pode custar caro."
Capítulo 5: A Primeira Fissura
Naquela noite, sonhei com ele. Não o Cael do escritório, mas o homem que me olhava como se enxergasse minha alma. Acordei ofegante, o nome dele preso na garganta.
Quando cheguei ao trabalho, ele não estava. Nem no prédio, nem na cidade. Vi um e-mail dele no meu sistema, com um arquivo criptografado. E uma mensagem:
"Confie em mim. E não abra isso na rede da empresa."
Arregalei os olhos. Meu estômago revirou. Por que ele me mandaria aquilo? Por que justo eu?
Levei meu notebook para casa naquela noite. O arquivo estava protegido por senha, mas dentro havia um documento com três nomes e uma data.
E uma única frase em vermelho:
"Se eu desaparecer, entregue isso à imprensa."
Cael Moreno estava me colocando no centro de algo muito maior. E talvez... ele soubesse que eu não conseguiria dizer não a ele, mesmo que isso custasse tudo.
Capítulo 6: A Invasão do Silêncio
No dia seguinte, ele ainda não apareceu. Nem uma ligação. Nem uma mensagem. A ausência de Cael tomou conta do escritório como uma névoa densa, impossível de ignorar. Eu andava pelos corredores como se algo estivesse prestes a explodir — dentro ou fora de mim.
À tarde, entrei na sala dele. Algo me dizia que eu precisava ver com os próprios olhos. Vasculhei com cuidado, mas parei ao abrir a gaveta trancada. O envelope... havia sumido.
Foi quando ouvi passos. Me virei com o coração na garganta. Era Nathan, o chefe da segurança interna. Ele me olhou de um jeito estranho. Aquele tipo de olhar que não era exatamente acusatório, mas já me julgava culpada.
"Procurando algo, senhorita Alencar?"
Respirei fundo e sorri. "Pelo contrário. Estou apenas organizando as pendências."
Ele estreitou os olhos, como quem sabia que não era só isso. Saí da sala com o coração descompassado. Eu estava sozinha agora. E Cael havia me deixado com um fardo que eu nem entendia direito.
Capítulo 7: Um Toque no Escuro
Na madrugada, meu celular vibrou. Número desconhecido. Atendi.
"Não diga meu nome. Não faça perguntas. Estou bem. Só preciso que você mantenha a cabeça baixa. Por enquanto."
Era ele. A voz grave, mais rouca, mais urgente. Tentei falar, mas ele continuou:
"Você vai receber uma visita amanhã. Finja que não sabe de nada. Deixe que pensem o que quiserem. Mas nunca — nunca — mencione o arquivo."
Antes que eu respondesse, ele desligou. Passei o resto da noite acordada. Pensando nos olhos dele. No toque da sua mão na minha cintura. E em como, mesmo longe, ele ainda conseguia comandar meu mundo.
No dia seguinte, dois homens engravatados chegaram cedo. Disseram que estavam ali para uma "verificação de protocolo." Um deles tentou puxar conversa, mas meu instinto gritava para não confiar.
À tarde, recebi uma única mensagem.
“Você foi perfeita.”
E mesmo que eu soubesse que tudo aquilo era um jogo perigoso, meu corpo reagiu como se tivesse sido tocado de novo.
Capítulo 8: Entrelinhas e Sussurros
Ele voltou. Ninguém anunciou. Simplesmente entrou, alto e imperturbável, como se nunca tivesse sumido. Mas eu vi as olheiras. O cansaço. E algo mais... algo quebrado.
"Meu café está pior sem você aqui para controlar a temperatura, Isadora."
Era uma piada. Mas havia um pedido ali. Uma ponte entre nós. Entreguei a xícara com as mãos trêmulas. Ele deixou os dedos roçarem os meus de propósito.
"Senti sua falta", ele disse, baixo.
Olhei nos olhos dele. "Mentiroso."
Ele riu, mas o riso morreu rápido. Se aproximou. Estávamos sozinhos, novamente. E ele estava tão perto que eu podia sentir seu perfume. Cedro, pimenta e algo só dele.
"Você me salvou. E nem percebeu."
Antes que eu pudesse responder, ele encostou a testa na minha. Foi um segundo. Um único segundo. Mas meu corpo inteiro gritou por mais.
Capítulo 9: A Linha Tênue
Começamos a sair juntos, discretamente. Jantares que não eram encontros. Conversas longas demais para serem apenas profissionais. Mas ainda não havíamos cruzado a linha.
Até aquela noite.
Ele me esperava na garagem da empresa. Quando entrei no carro, a tensão entre nós explodiu. Não houve palavras. Só respiração pesada e olhares carregados. Ele segurou meu queixo com firmeza.
"Você tem ideia do que está fazendo comigo?"
"Tenho. E você? Sabe o que está fazendo comigo?"
Ele me puxou pela nuca. O beijo foi urgente, possessivo, tão carregado de tensão quanto desejo. Cael não era delicado — ele era fogo, era domínio. E naquele instante, eu deixei que ele queimasse cada dúvida que me restava.
Quando nos separamos, ele encostou a testa na minha, de novo. Como se precisasse daquilo para continuar respirando.
"Agora já era, Isadora. Agora você é minha."
E o pior?
Eu queria ser.
Capítulo 10: Entre Quatro Paredes
Ele me levou até seu apartamento — um duplex que parecia saído de uma revista. Mas naquele momento, tudo parecia pequeno demais para conter o que estávamos sentindo.
Cael me encostou na porta antes mesmo que ela fechasse. Suas mãos percorriam minha cintura, minhas costas, como se quisesse mapear cada centímetro de mim.
"Você é perigosa, Isadora... perigosa demais pra mim."
"Então por que não foge?"
Ele não respondeu com palavras. Me pegou no colo e me levou até o quarto. Foi ali, entre lençóis bagunçados e beijos demorados, que descobri o que era ser desejada por um homem como ele. Cada toque era um comando. Cada gemido, uma rendição.
E eu me rendi. Inteira.
Capítulo 11: O Sopro da Tempestade
Acordamos juntos. Enroscados. Cael me observava como se quisesse decorar meu rosto.
"Você vai me odiar quando descobrir tudo."
"Então me dê motivos pra continuar te amando até lá."
Ele sorriu com tristeza. Mas não respondeu. Recebi uma mensagem no celular enquanto ainda estávamos na cama: um vídeo. Nele, eu e Cael. Entrando juntos em seu prédio. A legenda: “Você não sabe com quem está se envolvendo.”
Mostrei a ele. E pela primeira vez, vi medo nos olhos de Cael.
"Precisamos sair daqui. Agora."
Capítulo 12: O Inimigo Invisível
Nos escondemos num hotel discreto. Cael usava outro nome. Comprou celulares novos. Trocou até o relógio. E eu… eu tentei fingir que aquilo não era real. Mas era.
No quarto escuro, entre lençóis frios e janelas fechadas, ele me contou parte da verdade. Uma transação antiga, suja, envolvendo políticos e empresas fantasmas. Um arquivo. Um nome.
"Você viu aquele e-mail, Isadora. Isso te coloca no centro disso tudo."
"Por que você não destruiu esse arquivo?"
"Porque é a única coisa que me mantém vivo."
Ele me puxou para perto. Como se o toque fosse mais seguro que qualquer cofre. E ali, no escuro, fizemos amor de novo — não por desejo apenas, mas por medo. Como se amanhã não existisse.
Capítulo 13: Cicatrizes
Ele estava distraído no computador. Observando códigos, e-mails antigos, analisando quem poderia ter mandado o vídeo. Eu aproveitei para explorar o quarto.
Encontrei uma cicatriz em suas costas. Fina, profunda. Como se tivesse sido feita por algo muito afiado.
"Foi um recado. Há três anos. Me disseram que da próxima vez, eu não sobreviveria."
Sentei ao seu lado. Passei os dedos sobre a pele marcada. Ele arrepiou.
"Você não está mais sozinho, Cael."
Ele virou o rosto para mim. O beijo que veio depois foi diferente. Profundo. Dolorido. Era amor nascendo no meio do caos.
E mesmo que tudo estivesse desmoronando à nossa volta, naquele instante, eu soube: estávamos perdidos. Um no outro. E em algo muito maior do que nós dois.
Capítulo 14: A Primeira Ameaça
A mensagem estava no espelho do banheiro do escritório: Você sabe demais. O batom vermelho que desenhava as palavras era o mesmo que eu usara na noite anterior. E eu tinha certeza de que ele estava na minha bolsa.
Meus dedos tremiam. Cael chegou antes que eu pudesse apagar. Seus olhos se estreitaram ao ler.
— Isso é pra você ou pra mim? — ele perguntou.
— Talvez pra nós dois.
Naquela noite, ele me levou para casa. Mas não dormimos. Fizemos amor como se o mundo fosse acabar ao amanhecer. Seus dedos marcavam minha cintura, seu corpo era meu refúgio e meu abismo. Sentia o perigo, o desejo, a urgência. E não queria parar.
Capítulo 15: O Acerto de Contas
O vídeo com as provas que Cael esconderia a todo custo estava em meu poder. Mas eu hesitava em abrir. Sabia que, uma vez revelado, nada mais seria o mesmo.
Cael me encarou, tenso, o maxilar travado.
— Se você souber o que tem aí, Isa, não vai conseguir dormir nunca mais.
— Já não consigo desde que te conheci.
Ele me empurrou contra a parede e me beijou com uma fome insana. Era raiva, medo, desejo. Sua língua invadia minha boca e suas mãos seguravam minha cintura com força. Eu me rendia a ele como uma mulher que não tinha mais chão.
Capítulo 16: A Fuga
Tivemos que deixar o hotel às pressas. Dois homens estavam esperando no saguão. Um deles eu reconheci das câmeras da empresa. O outro parecia policial — mas não do tipo que protege.
Cael me puxou pela mão, e corremos pelos fundos. Entramos no carro, e só parei de tremer quando estávamos longe o suficiente para ver as luzes da cidade sumirem no retrovisor.
— Eu não devia ter te envolvido nisso, Isa. — ele murmurou, com a mão no meu joelho.
— Mas você envolveu. Agora me segura. Ou perde tudo.
Nos beijamos no meio da estrada, com os faróis apagados e os corpos colados. O banco do carro virou nosso refúgio. E nossa perdição.
Capítulo 17: Refúgio Ardente
A casa era afastada, escondida entre as árvores e a neblina. Uma lareira acesa nos recebeu, mas o calor verdadeiro veio quando Cael me encostou na parede da sala.
— Você é minha ruína, Isadora Vidal — ele sussurrou entre os beijos.
— Então desmorona comigo.
Nos despimos como se a pele queimasse. Suas mãos pressionavam meus seios, seus lábios percorriam meu pescoço. Ele me carregou até o sofá e me deitou com cuidado, mas os movimentos seguintes foram tudo, menos gentis.
Eu gemia seu nome. Ele gemia o meu. E o mundo lá fora podia desabar, porque ali, só existíamos nós dois e aquela febre.
Capítulo 18: Marcas
Acordei com os dedos dele traçando as marcas em minha pele — os beijos, os apertos, os momentos em que ele se perdeu em mim.
— Estão te machucando? — ele perguntou.
— Estão me provando que sou real.
O toque virou desejo de novo. E de novo. A cada suspiro, o medo se tornava prazer. Mas o telefone tocou. E com ele, a realidade.
— Pegaram o Matheus — disse Cael. — Ele sabia demais.
O gosto da morte invadiu nossa boca. Mas, ainda assim, nos agarramos um ao outro. Como se o calor do corpo pudesse proteger da bala que estava por vir.
Capítulo 19: Círculo Fechado
Cael estava encurralado. A reunião com o investidor que deveria ajudá-lo virou armadilha. E eu estava no carro, ouvindo tudo pelo ponto eletrônico que ele me deu.
— Se fizer isso, você assina sua sentença, Moreno — dizia uma voz.
— Eu já assinei quando me apaixonei por ela — ele respondeu.
Meu coração disparou. Eu precisava tirá-lo de lá. Entrei, disfarçada de garçonete, e consegui ver o momento exato em que Cael sacou a arma. Eu gritei seu nome. E, por um segundo, tudo parou.
— Isadora, corre! — ele berrou.
Mas era tarde demais.
Capítulo 20: Sangue Quente
O tiro ecoou. Mas não foi nele. Foi em mim. No ombro. O impacto me fez cair, mas eu ainda via tudo. Cael ajoelhado ao meu lado, os olhos cheios de desespero. Ele segurava minha mão, apertando com força.
— Não morre, Isa. Não faz isso comigo. Eu te amo. Eu te amo, caralho!
Mesmo ferida, sorri.
— Então me beija. Se for pra morrer, que seja com você na boca.
O beijo veio salgado, urgente, desesperado. Enquanto o sangue manchava a camisa dele e o chão, eu sentia que, mesmo com a dor, o que tínhamos era mais forte do que a morte.
Porque o amor, o desejo, o perigo — tudo em Cael — queimava. E eu estava disposta a arder até o fim.
Capítulo 21: Respirar Dói
A ambulância chegou em tempo. Mas não o suficiente para apagar o gosto da morte.
Fui operada, sedada, costurada. Mas cada ponto doía menos do que a ausência de Cael ao meu lado. Quando abri os olhos pela primeira vez, tudo que eu quis foi vê-lo.
— Onde ele está? — perguntei à enfermeira.
— Sumiu. Antes da polícia chegar.
Sumiu. Meu peito doía mais do que o ombro atingido. Ele fugiu para me proteger, eu sabia. Mas ainda assim, doía. Porque amar alguém como Cael Moreno significava viver com a ausência, com a ameaça constante.
E com a certeza de que, mesmo longe, ele queimava em mim.
Capítulo 22: A Caçada
Foram três dias sem notícias. Até que recebi uma carta.
“Sei que vai me odiar por isso. Mas estou fazendo o que preciso para que você viva. Quando eu voltar, será para te buscar. Viva, livre. Minha.”
Não aguentei. Liguei para Matheus, que milagrosamente estava vivo — tinha fingido a própria captura.
— Ele está na fronteira. Tentando limpar o próprio nome — contou.
— Então eu vou até ele.
— Isa, isso é loucura.
— Amar ele também é. Mas eu não consigo amar menos.
Em menos de 24 horas, eu estava em um avião. E o que me esperava do outro lado não era só um homem. Era um campo de guerra. E eu era o alvo mais vulnerável.
Capítulo 23: Tiro Cruzado
Nos encontramos num armazém abandonado. Ele estava diferente. Mais magro, mais desesperado. Mas os olhos... os olhos ainda eram os mesmos.
— Isa... — Ele me puxou com força. Me beijou como se tivesse esquecido como era respirar.
Nos agarramos no chão sujo, no meio do caos. Com tiros do lado de fora. Com granadas de emoção no peito. E com as mãos percorrendo os corpos com fome. Eu precisava dele. Ele precisava de mim.
Fizemos amor ali, entre paredes quebradas. Era sujo. Era errado. Era tudo que tínhamos.
E quando os inimigos entraram, estávamos nus. Mas não desarmados.
Capítulo 24: Prova de Amor
A arma estava em minha mão. Pela primeira vez. E foi minha a decisão de puxar o gatilho.
O homem que apontava para Cael caiu no chão, sem vida. E minha alma tremeu.
Cael me abraçou com força, com sangue nos dedos, com a voz baixa:
— Agora você é parte disso. Pra sempre.
— Já era, Cael. Desde a primeira vez que me tocou.
Fugimos de novo. Mas agora com mais peso, mais culpa, mais cicatrizes. No motel de estrada, ele me beijou como quem pede perdão. E eu retribuí como quem pede salvação.
Amar Cael era matar e morrer. E eu já não sabia mais o que era viver sem ele.
Capítulo 25: À Flor da Pele
A madrugada era quente. Nosso quarto cheirava a pólvora e suor. Mas os lençóis sabiam o quanto nos pertencíamos.
Cael passou os dedos pelas minhas costas nuas, traçando as curvas como um artista obsessivo. Eu gemi baixo, me virando pra ele.
— Ainda me deseja depois de tudo? — perguntei.
— Eu te desejo mais por tudo isso. Você é a mulher que atira pra proteger. Que ama pra incendiar.
Transamos com raiva, com amor, com urgência. Os gemidos eram gritos de sobrevivência. Cada estocada era uma lembrança de que estávamos vivos. Que ainda havia algo puro entre o caos: nós dois.
E enquanto ele mordia meu pescoço, e eu arranhava suas costas, entendi: amar Cael era uma guerra. Mas era a única guerra que eu queria vencer ao lado dele.
Capítulo 26: Os Nossos Demônios
O sol nem tinha dado as caras quando Cael pulou da cama. Nu, com a arma ainda sobre a escrivaninha, ele olhava pela janela como se esperasse o inimigo. Eu vesti a camisa dele, engoli o gosto de sangue que ainda não era meu — mas podia ser, a qualquer momento.
— Eles sabem que você tá comigo — ele disse, ainda de costas. — E isso muda tudo.
— Eu não sou o seu ponto fraco, Cael. Eu sou o seu motivo.
Ele virou. Aquele olhar... era guerra. E era amor.
— Então se prepara, Isadora. Porque agora eles vão tentar arrancar você de mim.
O telefone tocou. Um número sem identificação. Ele atendeu no viva-voz.
— Moreno, ou você entrega o que temos... ou a mulher que você anda escondendo vira headline. E não no caderno de fofoca.
O silêncio pesou mais do que qualquer ameaça.
— Vamos dar o troco — sussurrei. — Mas do nosso jeito.
Capítulo 27: Entre Tiros e Beijos
Cael entrou no cofre do apartamento e tirou uma pasta preta. Documentos, imagens, áudios... era aquilo que podia destruir impérios. E também nos destruir. Mas a verdade nunca foi segura.
— Você sabia disso desde o começo? — perguntei.
— Sabia. E sabia que um dia alguém como você ia aparecer. Forte o suficiente pra encarar tudo.
Fugimos naquela manhã, num carro sem placa, com os vidros escuros e o coração acelerado. A cidade parecia diferente. Mais suja. Mais perigosa. Ou talvez fosse só o mundo se revelando agora que o amor escancarava os olhos.
Nos escondemos num galpão abandonado na Zona Portuária. Cael, mesmo em meio ao caos, me encostou contra a parede de concreto e me beijou como se fosse a última vez.
— Se o mundo vai acabar, que seja com você gemendo meu nome — ele murmurou.
Transamos ali, entre caixotes, armas e documentos confidenciais. Entre um toque e outro, a gente selava a promessa de sobreviver. Juntos. Ou não seríamos nada.
Capítulo 28: Sangue Quente
As balas vieram antes do nascer do sol. Tiros que cortavam o ar, gritos abafados, e Cael me protegendo com o próprio corpo. Ele atirava de volta com precisão cirúrgica. Eu, com uma pistola menor, dei cobertura. Um deles caiu perto da porta, outro desabou entre as caixas.
O suor escorria da minha testa, misturado com o cheiro metálico do sangue. Meu coração socava o peito como se quisesse escapar. Mas eu não fugia mais. Não depois de tudo.
Quando o silêncio finalmente voltou, Cael me puxou para os braços. Tremíamos. De medo, de adrenalina, de amor.
— Eu não posso mais esconder você do mundo — ele disse, os olhos ainda vermelhos. — Mas posso fazer o mundo te respeitar.
— E como você vai fazer isso? — perguntei, arfando.
— Casando com você. Em segredo. Pra proteger. Pra blindar. Mas também pra te ter como minha. De verdade.
Eu sorri, suja de sangue, com a boca ainda latejando de beijos.
— Então casa. Agora.
E ali, em meio aos escombros da nossa luta, começava o nosso ritual de guerra... e de amor.
Capítulo 29: O Voto Silenciado
O vestido era roubado. A aliança, improvisada com um fio de prata arrancado da corrente de Cael. O padre? Um ex-padre, na verdade, que devia mais favores do que bençãos.
Mas ali, no porão do hotel desativado, com velas derretendo e nossos corpos ainda marcados de luta, eu disse “sim”.
— Eu prometo — ele falou, deslizando o fio no meu dedo — proteger você da guerra, mesmo que eu precise morrer nela.
— E eu prometo — respondi — ser sua cúmplice. Até o fim. Ou até o próximo escândalo.
Nos beijamos entre promessas e respirações ofegantes. Era amor. Era loucura. Era tudo ao mesmo tempo.
E a noite... a noite foi só nossa.
Entre lençóis manchados de sangue e prazer, fizemos amor como quem sela um pacto com o destino. Ele me tomou como se o mundo acabasse ali. E talvez tivesse acabado mesmo.
Capítulo 30: Manchetes e Mentiras
No dia seguinte, a bomba estourou.
“CEO Moreno desaparecido. Fontes indicam envolvimento com espionagem e assassinato.”
Cael estava na mira de todos. Políticos, corporações, até mesmo velhos aliados. Ninguém perdoava o homem que sabia demais.
— Eles vão vir atrás da gente com tudo — ele disse, digitando códigos em um novo servidor escondido. — Mas agora não é só por mim. É por nós.
Estávamos exaustos. Mas determinados. A verdade precisava ser liberada no tempo certo. A diferença entre destruir um sistema e apenas ser morto por ele... era o timing.
Enquanto ele codificava, eu planejava. E entre um plano e outro, ainda nos pegávamos na cozinha, no chuveiro, contra a porta.
Porque amar, naquela fase, era também sobreviver.
E transar era a nossa forma de continuar respirando.
Capítulo 31: Quebrando Códigos, Corações e Correntes
Hackeamos o sistema do próprio conglomerado de Cael. O servidor caiu às três da manhã. Às três e vinte, os segredos começaram a vazar.
Nomes. Contas. Mortes disfarçadas de suicídio. Políticos comprados. CEO’s manipulando eleições.
E lá, no meio de tudo... nós dois.
Viramos alvo. Mas viramos lenda também.
A elite queria nossa cabeça. Mas a internet, o submundo, os anônimos... esses queriam nos proteger. E era essa parte do mundo que Cael agora liderava. Não como CEO, mas como símbolo.
— Você virou meu império, Isadora — ele disse, me olhando como se eu fosse sua religião. — E eu quebrei todas as leis por você.
— Então agora a gente escreve as nossas.
E a gente se beijou como dois criminosos apaixonados.
Capítulo 32: Fogos no Escuro
A casa explodiu às quatro da manhã.
Não era a nossa, mas era a última que restava em nome de Cael. Era a resposta.
Sabíamos o que significava. Estávamos caçados.
— Está pronta pra desaparecer de vez? — ele perguntou.
— Com você, eu topo até não existir.
Fugimos mais uma vez. Nova identidade. Novo país. Mas não um novo amor. O nosso já era suficiente pra encher qualquer mapa.
Nos hospedamos numa casa afastada, à beira de um penhasco. O vento cortava, mas o corpo dele sempre me aquecia. A aliança ainda improvisada reluzia quando o sol batia. Era uma lembrança viva de que, apesar de tudo, estávamos juntos.
Fizemos amor na beira da lareira. Lento. Profundo. Doloroso de tão verdadeiro.
Cael sussurrou no meu ouvido:
— Eu ainda vou reconstruir tudo. Mas do meu jeito. E com você do lado.
Capítulo 33: O Silêncio dos Sobreviventes
Dois meses depois, uma nova plataforma anônima começou a movimentar o mercado global com informações secretas e denúncias em tempo real.
Ninguém sabia de onde vinha.
Mas um homem com olhos cortantes e uma mulher com um passado sombrio observavam tudo da varanda de uma casa isolada.
— Eles ainda vão tentar nos calar — ele disse.
— Então que venham. Agora a gente tem muito mais a perder. E muito mais pra defender.
Ele me puxou pela cintura, encostando a testa na minha.
— Você é meu segredo mais perigoso, Isadora.
Eu sorri.
— E você é o meu.
Nos beijamos.
A câmera que Cael escondia no drone captou a cena. Em breve, o vídeo seria lançado com a próxima denúncia.
Mas por ora...
Silêncio.
Porque quando se ama no meio do caos, o amor vira uma arma.
E nós... estávamos apenas começando a aprender a atirar.
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